Donald TrumpAFP
Semanas após vídeo racista, Trump realiza evento para celebrar mês da história negra nos EUA
Recepção do Mês da História Negra na Casa Branca no ano passado também foi realizada na esteira de outra ordem executiva que encerrou os programas federais de diversidade, equidade e inclusão
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizou nesta quarta-feira, 18, uma recepção na Casa Branca pelo Mês da História Negra, celebrado em fevereiro no país. O evento ocorre menos de duas semanas depois de o presidente provocar indignação bipartidária ao publicar nas redes sociais um vídeo racista que retratava o ex-presidente Barack Obama e sua mulher, Michelle Obama, como macacos em uma selva.
Trump não mencionou o vídeo, que foi apagado após forte reação pública e pelo qual ele disse que não pedirá desculpas. Ele também não citou Barack Obama, o primeiro presidente negro do país, mas falou sobre outros afro-americanos que marcaram a história. "Celebramos o Mês da História Negra. Honramos a memória daqueles que vieram antes de nós dando continuidade ao seu legado", disse.
Trump citou pelo nome afro-americanos proeminentes entre seus apoiadores, incluindo o boxeador Mike Tyson, a quem elogiou por defendê-lo de acusações de racismo, e a rapper Nicki Minaj, cuja pele ele descreveu como "tão bonita" ao comentar sobre o comprimento de suas unhas.
O presidente republicano chamou ao palco vários integrantes de sua administração, incluindo o secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano, Scott Turner, e a responsável por indultos na Casa Branca, Alice Marie Johnson.
"Ao olharem para este mar de afro-americanos, este presidente os ouve. Este presidente se importa com vocês. Não deixem que ninguém diga que este presidente aqui, Donald Trump, não foi - não é a favor da América negra", afirmou Johnson. "Porque ele é "
Trump listou medidas que, segundo ele, beneficiaram os afro-americanos, incluindo a lei que sancionou no ano passado eliminando o imposto federal de renda sobre gorjetas e o envio de tropas da Guarda Nacional "para restaurar a segurança" em cidades com grandes populações negras, como Washington, Nova Orleans e Memphis.
A recepção ocorreu um dia depois de Trump declarar, em outra publicação nas redes sociais, que tem sido "falsa e constantemente chamado de racista por canalhas e lunáticos da esquerda radical", em uma mensagem que pretendia homenagear o reverendo Jesse Jackson, que morreu na última terça-feira, 17.
Questionada sobre a publicação, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou mais cedo, nesta quarta-feira: "Há muito que este presidente fez por todos os americanos, independentemente de raça. E ele foi absolutamente falsamente chamado e difamado como racista."
Trump reconhece o Mês da História Negra desde seu primeiro mandato, mas suas políticas e declarações enquanto esteve no cargo frequentemente contradizem celebrações da diversidade e das contribuições dos afro-americanos.
Ele tem atacado programas de diversidade, equidade e inclusão, que ajudaram muitos afro-americanos a conquistar empregos tanto no governo federal quanto em diversos setores privados nas últimas décadas. Trump classificou esses programas como "discriminação" e tem pressionado para eliminá-los do governo, além de incentivar o setor privado a fazer o mesmo.
Ao mesmo tempo, Trump se apresenta como defensor das universidades e faculdades historicamente negras (HBCUs). A Casa Branca destacou, nesta quarta-feira, a decisão do governo Trump, no ano passado, de direcionar US$ 500 milhões às HBCUs.
O aporte único veio, em grande parte, de recursos federais retirados de instituições que atendem grandes proporções de estudantes hispânicos. A destinação às HBCUs ocorreu dias após o Departamento de Educação retirar US$ 350 milhões de outros programas de bolsas voltados a faculdades com determinados percentuais de estudantes hispânicos e outros grupos minoritários. O governo Trump afirmou que esses programas eram inconstitucionais.
Trump iniciou seu segundo mandato afirmando que algumas aulas sobre a história afro-americana têm o objetivo de doutrinar as pessoas a odiar o país. Ele assinou uma ordem executiva para "restaurar a verdade e a sanidade na história americana", que a administração utilizou para remover de parques nacionais informações históricas que "desmereçam de forma inadequada americanos do passado ou do presente", incluindo marcos relacionados à história negra.
Pouco após o início do segundo mandato, Trump publicou uma proclamação reconhecendo fevereiro como o Mês da História Negra, ao mesmo tempo em que o Departamento de Defesa declarava que recursos oficiais não seriam mais utilizados para marcar meses de conscientização cultural.
A recepção do Mês da História Negra na Casa Branca no ano passado também foi realizada na esteira de outra ordem executiva que encerrou os programas federais de diversidade, equidade e inclusão.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.