Secretário-Geral da ONU, António Guterres, e o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker TurkAFP

A violência contra a mulher tornou-se uma “emergência global”, alertou o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, nesta sexta-feira (27).
Em um discurso ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, ele lamentou os abusos revelados em escândalos como o crime sexual condenado Jeffrey Epstein e a francesa Gisèle Pelicot.
“A violência contra a mulher, incluindo o feminicídio, constitui uma emergência global. Cerca de 50 mil mulheres e meninas foram assassinadas em 2024 em todo o mundo, a maioria por membros da família”, afirmou.
A Turquia também bordou o Afeganistão, governado pelos talibãs desde 2021, onde “o sistema de segregação imposto às mulheres lembra o apartheid, baseado no sexo em vez da raça”.
Ele também relatou dois casos que recentemente causaram comoção internacional: o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein e a francesa Gisèle Pelicot, vítima de estupros orquestrados por seu ex-marido Dominique com ofensas de homens.
Os dois casos “ilustraram a dimensão da exploração e dos abusos contra mulheres e meninas”, enfatizou o alto comissário da ONU.
“Esses abusos horríveis são possíveis graças aos sistemas sociais que silenciam mulheres e meninas e protegem homens poderosos da responsabilização”, denunciou.
“Os Estados devem investigar todos os supostos crimes, proteger as vítimas e garantir a justiça imparcial”, insistiu.
Ele também expressou preocupação com o aumento dos ataques contra mulheres em cargos públicos, especialmente online. “Todas as políticas com quem me converto dizem que são constantemente alvo de misoginia e ódio online”, declarou.