Donald Trump, Benjamin Netanyahu, Ali Khamenei, Mohamed bin Salman e Reza Pahlavi são figuras centrais no conflito EUA x IrãAFP/AFP/AFP/AFP/AFP

Os Estados Unidos e Israel lançaram ataques, neste sábado (28), contra o Irã após negociações frustradas e a violenta repressão aos protestos multitudinários exercidos pela república islâmica.

Confira a seguir quais são os principais atores nesta crise.
O presidente americano Donald Trump
Donald Trump,  presidente dos Estados Unidos - AFP
Donald Trump, presidente dos Estados UnidosAFP
O presidente americano, Donald Trump, prometeu se destacar como um pacificador, mas no caso do Irã, tem adotado a linha-dura.

No ano passado, forças americanas apoiaram Israel em sua guerra contra a república islâmica, bombardeando várias instalações nucleares.

Durante os protestos multitudinários que sacudiram o Irã em janeiro, Trump advertiu que responderia "muito fortemente" se as autoridades "começassem a matar gente, como fizeram no passado".

Em seu primeiro mandato, Trump foi o artífice da doutrina de "pressão máxima", que buscava fragilizar o Irã econômica e diplomaticamente.

Em 2018, o americano retirou os Estados Unidos do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano, que previa uma suspensão gradual das sanções impostas ao Irã em troca de garantias de que Teerã não desenvolvesse a bomba atômica.

Os países ocidentais e Israel acusam o Irã de querer desenvolver a bomba atômica, mas Teerã insiste que seu programa unicamente tem fins civis.

Em fevereiro, Irã e Estados Unidos retomaram as conversas indiretas, mas Trump continuou com suas ameaças.
O aiatolá Ali Khamenei
O aiatolá Ali Khamenei, do Irã - AFP
O aiatolá Ali Khamenei, do IrãAFP
O líder supremo iraniano, de 86 anos, personificou durante muito tempo a atitude desafiadora da república islâmica em relação a seus inimigos, a começar por Estados Unidos e Israel.

No poder desde 1989, Khamenei tem a última palavra sobre todos os assuntos importantes e supervisiona o avanço do programa nuclear iraniano. Ele defende que o enriquecimento de urânio é um direito soberano.

Expandir a influência regional do Irã ao Líbano, à Síria, ao Iraque e ao Iêmen tem sido um ponto-chave de sua política externa.

Khamenei tem insistido que o Irã "nunca se renderá" aos Estados Unidos e é cético em relação à diplomacia.

Durante os diálogos sobre o programa nuclear de 2025, disse que duvidava que um acordo pudesse "conduzir a algum resultado" e argumentou que os problemas do Irã deveriam ser resolvidos internamente.

Quando foram retomados os diálogos, advertiu que o Irã era capaz de atingir os navios de guerra americanos destacados no Golfo.

"Os americanos deveriam saber que se começarem uma guerra, desta vez será uma guerra regional", advertiu.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu
Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu - AFP
Primeiro-ministro israelense, Benjamin NetanyahuAFP
Durante décadas, o primeiro-ministro israelense denunciou as ambições nucleares do Irã, seu arsenal de mísseis e seu apoio a grupos armados, vendo em tudo isso uma ameaça existencial.

A pressão de Netanayhu para que fosse lançada uma ação militar se materializou com a guerra de 12 dias contra o Irã em junho passado. Ele afirma que Israel agirá novamente para evitar que o Irã reforce suas capacidades de ataque.

Netanyahu instou reiteradamente o povo iraniano a derrubar seus governantes e restaurar os laços que os dois países tinham antes da Revolução Islâmica de 1979.

Este mês, advertiu que "se os aiatolás cometerem um erro e nos atacarem, vão experimentar uma resposta que não podem nem imaginar".
Reza Pahlavi, o filho do xá
Reza Pahlavi, filho mais velho do último xá do Irã  - AFP
Reza Pahlavi, filho mais velho do último xá do Irã AFP
O filho mais velho do último xá do Irã se posicionou como um líder em potencial em uma eventual transição democrática no Irã, um país ao qual não voltou desde a revolução.

O príncipe herdeiro voltou a ficar sob os holofotes depois que muitos manifestantes gritaram "Pahlavi voltará" nas recentes manifestações no Irã.

O homem de 65 anos convocou os iranianos a se manifestarem e a realizarem protestos em todo o nundo.

Radicado nos Estados Unidos, pediu que Washington interviesse diretamente em apoio aos iranianos para derrubar o regime.

"Estou aqui para garantir uma transição para uma futura democracia secular", disse Pahlavi à imprensa em Munique em fevereiro.

"Chegou a hora de pôr fim à república islâmica", acrescentou, voltando a pedir "ajuda" a Trump.

Ele é uma figura divisiva, sobretudo dentro da oposição iraniana.

Pahlavi tem sido criticado por seu apoio a Israel, para onde fez uma viagem muito noticiada em 2023.

Ele tem se mostrado muito crítico à repressão da república islâmica, mas nunca se distanciou dos abusos cometidos durante a época de seu pai no poder.
O príncipe herdeiro Mohamed bin Salman
Príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman - AFP
Príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin SalmanAFP
O príncipe herdeiro da Arábia Saudita e governista de fato do país Mohamed bin Salman compartilha a visão de outros Estados do Golfo: estão felizes de que o Irã seja fragilizado, mas temem que isto gere instabilidade e caos na região.

A Arábia Saudita, cuja população é majoritariamente sunita, é o principal exportador mundial de petróleo e mantém tradicionalmente relações tensas com o Irã, seu rival xiita do outro lado do Golfo.

Meses depois de se tornar príncipe herdeiro em 2017, Mohamed bin Salman causou irritação no Irã ao descrever Khamenei como o "Hitler" do Oriente Médio.

Mas Riade e Teerã restauraram suas relações em 2023, uma aproximação auspiciada pela China.

A estabilidade regional se tornou o principal objetivo da Arábia Saudita, imersa em um processo de transformação centrado nos setores do turismo e dos negócios, com a ideia de reduzir sua dependência do petróleo.

Em janeiro, a Arábia Saudita e outros países do Golfo pediram a Washington que se mantivesse prudente em relação ao Irã, disseram à AFP várias fontes da região naquele momento.

Mohamed bin Salman prometeu que não permitiria que fossem realizados ataques contra o Irã a partir do território saudita, onde os Estados Unidos têm uma base militar.