O clima é de tensão fora da corte onde Maduro está sendo julgadoAFP
"Esperamos que o julgamento prossiga dentro da estrutura da lei americana. Confiamos no sistema jurídico dos EUA", disse o deputado Nicolás Maduro Guerra, popularmente conhecido como "Nicolasito", à AFP.
“Este julgamento tem, desde a origem, vestígios de ilegitimidade devido à captura, ao sequestro, à operação militar contra um presidente eleito”, acrescentou. “Ele tem imunidade internacional, segundo a convenção de Genebra, a convenção de Viena”.
Eles deixaram a instalação apenas uma vez — em 5 de janeiro — para sua audiência inicial. Naquela ocasião, Maduro se declarou "prisioneiro de guerra" e alegou inocência em relação às acusações contra ele.
O presidente americano, Donald Trump, disse, nesta quinta-feira, que mais adiante Maduro responderá na justiça por "outras acusações".
"Ele foi indiciado apenas por uma fração das coisas que fez. Outras acusações serão apresentadas, como provavelmente sabem", declarou Trump à imprensa antes de uma reunião de seu gabinete na Casa Branca.
"Presumo que terá um julgamento justo. Mas imagino que enfrentará outros julgamentos", acrescentou.
Maduro governava a Venezuela desde março de 2013. Após sua queda, a Presidência interina foi assumida por Delcy Rodríguez — sua ex-vice-presidente — que, desde então, promoveu uma mudança nas relações com os Estados Unidos sob pressão de Trump.
Tanto seguidores quanto opositores de Maduro se reuniram desde cedo do lado de fora da corte, onde a segurança foi reforçada.
"Estamos desesperados por qualquer forma de justiça, por tudo o que passamos", disse o educador venezuelano Carlos Egana, de 30 anos, segurando um boneco representando o líder chavista com roupa de presidiário e algemas.
Militantes de esquerda exibiam cartazes com mensagens como "Libertem Maduro" e críticas à política do presidente americano, Donald Trump, como "Da Venezuela ao Irã, chega de sanções e bombas!".
Em certo momento, houve uma rápida discussão entre os manifestantes, mas a polícia interveio e retirou um homem do local.
''Estão muito bem, muito fortes"
Preso no Metropolitan Detention Center (MDC), no Brooklyn, uma penitenciária federal conhecida por suas condições extremas, Maduro permanece sozinho em uma cela, sem acesso à internet ou a jornais.
Chamado por alguns de "presidente" nos corredores, passa o tempo lendo a Bíblia, de acordo com uma fonte próxima ao governo venezuelano. Tem permissão para se comunicar por telefone apenas com sua família e seus advogados, por um tempo máximo de 15 minutos por chamada, segundo essa mesma fonte.
"Eles estão muito bem — fortes, muito bem, otimistas e cheios de força", afirmou na segunda-feira Nicolás Maduro Guerra, filho do líder sequestrado.
Maduro e Flores foram retirados à força por comandos americanos na madrugada de 3 de janeiro, com o apoio de ataques aéreos contra a capital venezuelana e de um grande deslocamento naval.
Segundo autoridades venezuelanas, pelo menos 83 pessoas morreram e mais de 112 ficaram feridas durante a operação. Nenhum militar americano morreu.

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