Keiko Fujimori promete um governo alinhado aos Estados Unidosreprodução
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko concorre pela quarta vez ao cargo, e se compromete a "recuperar a ordem" nos primeiros 100 dias de um eventual governo, em um país assolado pela criminalidade. Ela também cerrou fileiras com os Estados Unidos e os dirigentes conservadores de Argentina, Chile, Equador e Bolívia.
Aos 50 anos, Keiko tem vantagem nas intenções de voto com cerca de 15%, segundo as últimas pesquisas autorizadas antes da eleição. Este resultado a levaria ao segundo turno em junho. A disputa reúne 35 candidatos no total. Seus principais adversários são um comediante, um empresário rico, um político de centro de 80 anos e o herdeiro político do ex-presidente de esquerda Pedro Castillo.
Trump busca novos aliados para reduzir a influência da China na região, o principal parceiro comercial de vários países, incluindo o Peru.
A nação andina é a segunda maior receptora de investimentos chineses na América Latina, atrás apenas do Brasil, com pelo menos US$ 29 bilhões entre 2005 e 2025, segundo o monitor China Global Investment Tracker.
"A América Latina está girando para uma corrente na qual se prioriza a liberdade, os investimentos e recuperar o controle e a segurança", disse Keiko sobre a ascensão da direita com nomes como Javier Milei, José Antonio Kast, Daniel Noboa e Rodrigo Paz. "Faltam Colômbia e Peru", acrescentou. Keiko Fujimori concorreu à presidência nas eleições de 2011, 2016 e 2021. Perdeu todas no segundo turno.
'Pedem um Fujimori, aqui estou!'
Administradora graduada nos Estados Unidos, focou sua campanha em enfrentar com mão dura a escalada de criminalidade, que associa com a imigração irregular. "É meu compromisso recuperar a ordem no Peru", afirmou.
A comunidade estrangeira mais numerosa no país é a venezuelana, com 1,6 milhão de imigrantes, dos quais 14% não possuem residência autorizada. "Expulsaremos os cidadãos sem documentos e esperamos que seja possível fazer um corredor humanitário para que os que foram forçados a sair de seu país possam retornar", disse Keiko.
Ela indicou que também pedirá ao Congresso aprovação para enviar militares às prisões e instalar tribunais com "juízes sem rosto" para julgar criminosos, uma medida do governo de seu pai (1990-2000) bastante questionada ao incorrer em falta de garantias por magistrados anônimos.
"Meu pai trouxe ordem, crescimento econômico e [...] trabalhou com os setores mais populares. Tenho o sarrafo lá no alto e espero superá-lo", disse.
O Peru se arrasta por uma profunda crise política com oito presidentes diferentes em uma década, quatro deles destituídos pelo Parlamento, onde o fujimorismo foi a força mais importante, e outros dois pressionados a renunciar. A candidata promete ser conciliadora desta vez.
"Também cometi erros, ao ter momentos de muita confrontação. E com isso aprendemos a priorizar o diálogo e a fomentar consensos", comentou.
Keiko é seguida de perto nas pesquisas pelo comediante Carlos Álvarez, o ex-prefeito de Lima Rafael López Aliaga, o empresário de mídia Ricardo Belmont e o esquerdista Roberto Sánchez.
Mais de 27 milhões de peruanos votarão neste domingo para eleger um novo presidente e, pela primeira vez desde 1990, deputados e senadores, deixando para trás um Congresso unicameral.
"O tempo está colocando as coisas em seu lugar e, hoje, quando o Peru sangra pelos delinquentes e os extorsionistas, o que pedem é um Fujimori, aqui estou!", disse Keiko.

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