Trump afirmou que o Irã se recusa a rever programa nuclearAFP
Embora reconheça que as negociações no Paquistão tenham corrido "bem" e que "um acordo havia sido alcançado na maioria dos pontos", o presidente norte-americano afirmou que Teerã se recusa a ceder na questão de seu programa nuclear.
"Com efeito imediato, a Marinha dos Estados Unidos, a maior do mundo, iniciará o processo de BLOQUEIO de todas as embarcações que tentarem entrar ou sair do Estreito de Ormuz", onde, disse Trump na Truth Social, começará a "destruir" as minas marítimas colocadas pelo Irã.
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, chefe da delegação norte-americana, deixou a capital paquistanesa após lamentar a falta de um "compromisso firme" do Irã em renunciar às armas nucleares.
"Saímos daqui com uma proposta muito simples, uma abordagem que constitui nossa oferta final e melhor. Veremos se os iranianos a aceitam", acrescentou.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou na rede social X que sua equipe de negociação apresentou "iniciativas construtivas, mas, no fim, a outra parte não conseguiu conquistar a confiança da delegação iraniana nesta rodada de negociações".
O fracasso das negociações aumenta as preocupações de que uma retomada dos combates possa levar a uma alta nos preços mundiais da energia e causar mais danos à navegação e às instalações de petróleo e gás no Golfo.
Instrumento de pressão
O site de notícias americano Axios citou uma fonte anônima próxima às negociações, afirmando que os principais pontos de impasse incluíam "a exigência do Irã de controlar o Estreito de Ormuz e sua recusa em abrir mão de seu estoque de urânio enriquecido".
O ministro da Saúde britânico, Wes Streeting, falando em nome de seu governo, disse à Sky News que o fracasso das negociações foi "decepcionante", mas "isso não significa que não valha a pena continuar tentando".
Mais de 2 mil mortos no Líbano
Horas após o início das negociações no sábado, 11, Trump insistiu que os Estados Unidos já haviam triunfado no campo de batalha ao matar líderes iranianos, incluindo o líder supremo Ali Khamenei, e destruir infraestruturas militares cruciais. "Se chegarmos a um acordo ou não, não me importa. O fato é que vencemos", declarou.
As exigências iranianas para qualquer acordo que ponha fim à guerra incluem também o desbloqueio de bens iranianos sujeitos a sanções e o fim da guerra de Israel contra o Hezbollah no Líbano.
Desde que o cessar-fogo entrou em vigor na quarta-feira, 8, Israel mantém a posição de que o Líbano não está incluído na trégua.
Na quarta-feira, o Líbano realizou seus ataques mais mortais da guerra, com pelo menos 357 mortes em um único dia, de acordo com os dados mais recentes.
Autoridades libanesas relataram que, desde 2 de março, 2.020 pessoas foram mortas e 6.436 ficaram feridas.
Segundo a Presidência libanesa, negociações entre o Líbano e Israel estão agendadas para terça-feira, 14, em Washington, o que não é bem visto pelo Hezbollah. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que Tel Aviv quer um acordo que "dure por gerações".

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.