Membros da tripulação da Artemis IIAFP

EUA - A cápsula Orion, desenvolvida pela NASA para missões do programa Artemis, passou por um dos momentos mais desafiadores de sua jornada ao retornar à Terra após contornar a Lua. Durante a reentrada na atmosfera, o veículo enfrentou temperaturas extremamente elevadas, deixando marcas visíveis em sua estrutura externa.
Esse aquecimento intenso não ocorre simplesmente por causa do ar, mas sim pela altíssima velocidade da cápsula. Ao atingir cerca de 40 mil km/h, o contato com a atmosfera comprime os gases ao redor, formando um plasma superaquecido que eleva drasticamente a temperatura ao redor da nave.
O escudo térmico da Orion foi submetido a aproximadamente 2.760 °C — um nível de calor muito superior ao de fenômenos naturais como a lava vulcânica, que geralmente varia entre 700 °C e 1.300 °C.
As marcas de queimadura observadas após a missão não indicam falha. Pelo contrário: são resultado de um mecanismo planejado. O material do escudo, chamado Avcoat, foi projetado para se desgastar gradualmente em um processo conhecido como ablação. Ao se deteriorar, ele dissipa o calor e impede que temperaturas extremas atinjam o interior da cápsula.
Graças a esse sistema, mesmo com o exterior exposto a milhares de graus, o interior permanece relativamente controlado, garantindo segurança para astronautas e equipamentos.
A fase de reentrada é considerada a mais crítica de qualquer missão espacial. Pequenos problemas no escudo térmico podem trazer consequências graves. Por isso, o desempenho da Orion é visto como um sucesso: as marcas deixadas pelo calor mostram que o sistema funcionou exatamente como previsto, protegendo a nave durante uma das etapas mais perigosas da viagem.