Três pessoas, um casal holandês e uma mulher alemã que viajavam a bordo do MV Hondius, morreramAFP
Os três casos suspeitos a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, epicentro do surto de hantavírus, "acabaram de serem retirados do navio e estão a caminho dos Países Baixos para receberem atendimento médico, em forma progressiva com a OMS, a operadora do navio e as autoridades nacionais de Cabo Verde, Reino Unido, Espanha e Países Baixos", afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), na rede X.
Enquanto isso, o navio permanece imobilizado na costa de Cabo Verde, aguardando o seu destino em Tenerife, uma das ilhas do arquipélago das Canárias, onde deverá atracar nos próximos dias, segundo as autoridades espanholas.
Três pessoas, um casal holandês e uma mulher alemã que viajavam a bordo do MV Hondius, morreram desde o início do cruzeiro, segundo a OMS.
Outro passageiro, um cidadão britânico, foi retirado separadamente e está internado num hospital de Joanesburgo. Outro está hospitalizado em Zurique, na Suíça, além dos três casos que precisam ser transferidos de Cabo Verde para os Países Baixos.
“Nesta fase, o risco geral para a saúde pública permanece baixo”, escreveu Ghebreyesus no X.
Cepa Andes, identificada na África do Sul
A cepa do hantavírus detectada em um dos passageiros retirados do cruzeiro na África do Sul é conhecida como “vírus Andes”, transmissível entre humanos, declarou o ministro da Saúde sul-africano nesta quarta-feira.
“Testes preliminares mostram que se trata, de fato, da cepa dos Andes”, disse o ministro Aaron Motsoaledi a uma comissão parlamentar. “E trata-se da única das 38 cepas conhecidas que podem ser transmitidas de uma pessoa para outra”, acrescentou.
O Hospital Universitário de Genebra confirmou a identificação da cepa.
O caso do passageiro infectado com hantavírus em Zurique não havia sido mencionado até agora, anunciou o Ministério da Saúde suíço nesta quarta-feira. "Este homem e sua esposa retornaram de uma viagem à América do Sul no final de abril", especificou.
O navio de bandeira holandesa, que ancorau perto do porto da Praia, capital de Cabo Verde, no domingo, transportou 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades, incluindo um argentino e um guatemalteco.
Os que foram retirados quarta-feira eram dois tripulantes infectados infectados e uma pessoa considerada contato próximo. Segundo Ann Lindstrand, representante da OMS em Cabo Verde, “os três estão em condição estável e um deles é assintomático”, afirmou.
Ambulâncias e um navio-ambulância posicionados no porto de Praia na manhã desta quarta-feira, conforme observaram jornalistas da AFP.
A infecção por hantavírus é transmitida por roedores infectados, que eliminam o vírus na saliva, urina e fezes, e pode causar síndrome respiratória aguda.
Seu porto de chegada será Tenerife, de acordo com a emissora pública espanhola RTVE, que citou fontes do Ministério da Saúde.
O presidente regional das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, reiterou nesta quarta-feira a sua oposição à transferência de pacientes para o arquipélago e lamentou a falta de comunicação do governo central em Madri.
O Ministério da Saúde explicou na noite de terça-feira que havia "aceitado um pedido formal do governo holandês para receber o médico do MV Hondius, que se encontra em estado grave".
No entanto, o voo que deveria levar o médico do navio para as Ilhas Canárias "foi cancelado", disse à AFP uma próxima fonte à presidência regional.
“O que o governo das Ilhas Canárias lamenta é a falta de informações suficientes para saber se existem riscos a serem enfrentados”, acrescentou a fonte, que alegou desconhecer o motivo do cancelamento do voo.
A OMS acredita que um ou mais dos casos iniciais "foram infectados fora do navio" pelo vírus e que, posteriormente, ocorreu transmissão de pessoa para pessoa, afirmou Maria Van Kerkhove, diretora do Departamento de Preparação e Prevenção de Epidemias e Pandemias da OMS.
A autoridade sanitária da província argentina da Terra do Fogo indicou que o navio MV Hondius passou por inspeções rigorosas antes de partir de Ushuaia e é atualmente "improvável" que a doença tenha sido contraída na região.

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