Surto envolve uma variante rara do vírus para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos aprovadosReprodução
OMS alerta para avanço do ebola na África, mas descarta risco elevado global
Segundo Organização, surto já provocou mais de 130 mortes suspeitas e pode durar pelo menos mais dois meses
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta quarta-feira (20), que o risco de disseminação do surto de Ebola registrado na República Democrática do Congo e em Uganda é considerado alto em nível nacional e regional, mas segue baixo no restante do mundo.
O alerta foi divulgado em meio à preocupação com o avanço da doença na África Central. Segundo a OMS, o surto já provocou mais de 130 mortes suspeitas e pode durar pelo menos mais dois meses, de acordo com integrantes da equipe da organização que atuam no Congo.
Na terça-feira (19), a OMS já havia demonstrado preocupação com a "escala e velocidade" da disseminação do vírus e classificou o episódio como uma emergência de saúde pública de interesse internacional, medida adotada em situações que exigem resposta coordenada entre diferentes países.
Até o momento, foram confirmados 51 casos de Ebola nas províncias de Ituri e Kivu do Norte, no Congo, além de dois casos em Uganda, informou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. A organização também contabiliza 139 mortes suspeitas e quase 600 casos sob investigação.
O surto envolve uma variante rara do vírus, conhecida como Bundibugyo, para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos aprovados. Segundo especialistas, a doença circulou por semanas sem ser detectada porque autoridades locais investigavam inicialmente outra cepa mais comum do Ebola, cujos testes deram negativo.
Com o aumento dos casos, moradores do leste do Congo relataram alta nos preços de máscaras e produtos desinfetantes. Equipes de saúde e organizações humanitárias tentam ampliar as medidas de contenção para evitar a propagação da doença.
O virologista Jean-Jacques Muyembe afirmou que o Congo aguarda o envio, pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, de doses experimentais de uma vacina desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Oxford para diferentes tipos de Ebola. Segundo ele, os testes devem avaliar a eficácia do imunizante contra a variante atual.