Gás lacrimogêneo e cercas de proteção marcam o cenário de forte policiamento AFP / Reprodução

Centenas de operários voltaram às ruas do centro da capital política da Bolívia nesta quinta-feira (21) para exigir a renúncia do presidente de centro-direita Rodrigo Paz (da aliança Comunidade Cidadã), que reiterou o chamado ao diálogo para pôr fim à convulsão social que já dura mais de três semanas.
Uma onda de protestos que também inclui camponeses, professores e transportadores pressiona Paz, com apenas seis meses no poder, em meio à pior crise econômica do país andino em quatro décadas.
Com capacetes de trabalho e sob o barulho de fogos de artifício, mineiros e operários de fábricas marcharam em La Paz, cercada por bloqueios de estradas que provocaram escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos.
Os manifestantes passaram, sem incidentes, diante dos policiais antimotim que protegem com grades e escudos a praça de armas, onde fica o Palácio do Governo. Protestos violentos deixaram cerca de 130 detidos na segunda-feira, segundo o Ministério Público.
"Ele está nos impondo uma política neoliberal como nos anos 1980. Este governo não tem capacidade de governar e é totalmente servil às transnacionais", declarou à AFP Cecilio González, dirigente operário de 49 anos.
Em uma tentativa de acalmar os protestos, o chefe de Estado nomeou, na última quarta-feira (20), Williams Bascopé, advogado de origem aimará, como ministro do Trabalho, em substituição a Edgar Morales, muito criticado pelo setor operário.
"As organizações sociais sempre terão espaço de diálogo, de negociação no governo. Convidamos sempre ao diálogo", anunciou Paz, que na quarta-feira havia antecipado que faria mudanças para ter ministros com capacidade de escuta.
Pelo menos 47 bloqueios de estradas foram registrados em sete dos nove departamentos do país, segundo dados oficiais. Pela manhã, um contingente policial liberou uma rota estratégica em Cochabamba (CENTRO), após lançar gás lacrimogêneo contra manifestantes.
De pedir aumentos salariais, revogação de leis e combustíveis de boa qualidade, vários setores passaram a exigir a saída do chefe do Executivo que pôs fim a 20 anos de governos socialistas presididos por Evo Morales (MAS), entre 2006 e 2019, e Luis Arce (MAS), entre 2020 e 2025.