Declarações ocorreram durante a apresentação de um projeto de lei de proteção de menoresAFP

O ministro da Justiça francês, Gérald Darmanin, pediu nesta quarta-feira (27) um "despertar" coletivo para ouvir as crianças, em meio ao aumento das denúncias de agressões sexuais contra menores em escolas, especialmente em Paris.
Nos últimos meses, pais acusaram monitores responsáveis por supervisionar crianças fora da sala de aula de maltratar ou agredir sexualmente alunos sob sua responsabilidade.
Na terça-feira, o Ministério Público pediu três anos de prisão para um monitor de 36 anos acusado de agredir sexualmente alunos de uma escola infantil de Paris, mas abriu caminho para que ele cumpra apenas um ano com tornozeleira eletrônica.
"Devemos despertar coletivamente (...) para que as crianças sejam ouvidas, para que as vítimas estejam no centro do processo penal, e não o autor", disse Darmanin.
A solicitação decepcionou os pais das vítimas, que pediam prisão imediata contra o acusado. Ele negou, durante o julgamento, qualquer gesto sexual contra os menores.
Sem comentar o caso específico, Darmanin defendeu que o Ministério da Justiça faça sua "revolução" para ouvir os menores, especialmente porque o "#MeToo infância" apenas "começou", em sua opinião.
As declarações ocorreram durante a apresentação de um projeto de lei de proteção de menores, ao lado do ministro da Educação, Edouard Geffray, que anunciou uma "lista negra" de funcionários com comportamentos inapropriados em relação a menores.
Desde o início de 2026, 78 funcionários da cidade de Paris foram suspensos em escolas, 31 deles por suspeitas de violência sexual.
O Ministério Público de Paris investiga possíveis atos de violência, de diferentes tipos, em 84 escolas infantis, cerca de 20 escolas do ensino básico e uma dezena de creches.