Mísseis iranianos atingiram Bahrein e Kuwait AFP
Semanas de negociações complexas, marcadas por ameaças e episódios de violência, não resultaram em um acordo para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz, crucial para o comércio global de combustíveis.
Na sexta-feira, 5, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) anunciou que suas forças “derrubaram quatro drones” que se dirigiam ao estreito e atacaram duas instalações de radares no Irã.
Em resposta, o Irã atacou com mísseis “bases inimigas na região”, afirmou neste sábado a Guarda Revolucionária.
O Centcom indicou que o Irã havia lançado sete mísseis balísticos contra o Bahrein e o Kuwait, mas que seis tinham sido interceptados e um não havia atingido seu alvo.
O Bahrein, que abriga o quartel-general da Quinta Frota americana, denunciou o ataque - segundo contra os dois países em três dias — como uma "agressão descarada", enquanto o Kuwait falou em "uma perigosa escalada".
"Fomos acordados por uma enorme explosão", contou no Kuwait a egípcia Reem, mãe de dois filhos. "Meus filhos ficaram apavorados e não conseguia acalmá-los", acrescentou.
Em ponto morto
Após mais de um mês de ataques que dizimaram a cúpula do poder iraniano, entrou em vigor em 8 de abril um frágil cessar-fogo, respeitado em grande parte, mas salpicado por hostilidades esporádicas.
A chancelaria iraniana classificou os últimos ataques dos Estados Unidos como uma “violação flagrante” da trégua e condenou "o comportamento hostil e provocador do regime americano".
Os esforços diplomáticos se viram estagnados mais de uma vez, enquanto o conflito abala os mercados mundiais e aumenta a pressão política sobre o presidente americano, Donald Trump, antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em novembro.
"As negociações estão em ponto morto e Trump deve romper este ponto morto", declarou Mohsen Rezaei, assessor militar do líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei, em entrevista à CNN na sexta-feira.
Outro dos principais pontos de fricção nas negociações é o programa nuclear iraniano. Estados Unidos e Israel consideram que o objetivo desse programa é desenvolver uma arma atômica, embora Teerã alegue que ele tem apenas fins civis.
O Irã criticou neste sábado um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) no qual se expressava preocupação com a falta de acesso às instalações nucleares iranianas.
“Se a agência quiser fazer parte de uma solução diplomática, deve abster-se de transformar um relatório técnico em uma ferramenta de pressão política”, escreveu o vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, no X.
Front libanês
Outra exigência de Teerã é o fim dos combates no Líbano, arrastado para a guerra quando o Hezbollah atacou Israel em 2 de março para vingar a morte do anterior líder iraniano, aiatolá Ali Khamenei.
Após uma trégua em meados de abril que nenhuma das partes respeitou, representantes israelenses e libaneses chegaram a um novo acordo esta semana em Washington, que tampouco interrompeu as hostilidades.
O pacto, rejeitado pelo Hezbollah, sujeita o cessar-fogo à "cessação total" dos disparos do movimento xiita e prevê que o exército israelense possa manter suas operações no sul do Líbano. Lá, as forças israelenses afirmaram na noite de sábado ter atacado “cerca de 150” posições do Hezbollah em 48 horas.
O presidente libanês, Joseph Aoun, denunciou os “ataques israelenses incessantes, que permanecem impunes” apesar do suposto cessar-fogo em vigor.
Um ataque israelense no sul do país tirou neste sábado a vida de “dois oficiais — um general de brigada e um capitão —, assim como de um soldado”, segundo as forças libanesas.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.