Grupo tradicionalista nomeou quatro bispos na quarta-feira (01)Divulgação / FSSPX
Oficialmente, o Vaticano chamou a nomeação de quatro bispos pelo grupo tradicionalista, sem o aval de Leão XIV, de "ato de natureza cismática", isto é, de dissidência. Dessa forma, a partir de agora, "o sacramento da penitência por eles administrado e o matrimônio por eles assistido são inválidos", detalhou, em relação aos sacerdotes da fraternidade.
Os bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, Alfonso de Galarreta e Bernard Fellay, bem como os bispos recém-consagrados, incorreram "ipso facto" na excomunhão "latae sententiae", conforme o Vaticano. Os padres Pascal Schreiber, da Suíça; Michael Goldade, dos Estados Unidos; Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier, ambos da França, foram promovidos ao episcopado à revelia do papa.
A visão da FSSPX
Atualmente, a FSSPX é influente em círculos conservadores no mundo todo, contando com 2 bispos, 733 sacerdotes, 264 seminaristas, 145 irmãos religiosos, 88 oblatos e 250 religiosas, representando 50 nacionalidades. Em seu site em língua portuguesa, a fraternidade "defende-se de qualquer acusação de cisma e considera, apoiando-se em toda a teologia tradicional e no ensinamento constante da Igreja, que uma consagração episcopal não autorizada pela Santa Sé - quando não é acompanhada nem de uma intenção cismática, nem da colação da jurisdição não constitui ruptura da comunhão". E alega necessidade pastoral para as ordenações, por causa de seus fiéis e da idade de seus bispos.
Há retorno?
Já a aplicação de uma pena aos leigos "deve ser avaliada caso a caso". Quem frequentar as atividades da FSSPX "por motivos litúrgicos ou espirituais" e os que "não rejeitam o Magistério nem a autoridade do Romano Pontífice" não serão punidos, "uma vez que a imputabilidade exige plena consciência e consentimento deliberado". No entanto, o Vaticano também é claro ao pedir que os fiéis católicos agora deixem de participar "das celebrações e atividades promovidas pela referida Fraternidade Sacerdotal São Pio X".
Já os leigos com ligação direta com a Fraternidade ficam sujeitos à excomunhão. Para voltar à Igreja Católica, devem procurar o bispo da sua região e fazer "um ato formal de plena adesão à doutrina e de obediência à hierarquia". O Vaticano finaliza a declaração de excomunhão afirmando que "a Igreja, como mãe atenciosa, acolherá com sincero afeto e viva solicitude todos aqueles que desejam retornar à plena comunhão".
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