Três filhos do antigo líder do Irã, Ali Khamenei, participaram do funeral do paiReprodução / Khamenei Media

Líderes iranianos se reuniram junto ao caixão do aiatolá Ali Khamenei neste domingo (5), no segundo dia de cerimônias fúnebres ao líder supremo morto no início da guerra com os Estados Unidos. Seu filho e sucessor, Mojtaba, ainda não esteve presente na cerimônia.
Khamenei governou a República Islâmica de 1989 até sua morte, aos 86 anos, em um ataque aéreo em 28 de fevereiro, o primeiro dia da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Na primeira fila diante do caixão, junto a milhares de fiéis, estavam o presidente iraniano, Masud Pezeshkian, e o influente presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, chefe da equipe de negociação com os Estados Unidos.

Uma das figuras mais proeminentes da era pós-Ali Khamenei, Ghalibaf elogiou no X a forma como a "nação orgulhosa e invencível do Irã islâmico" presta homenagem ao seu "mártir".

Também estavam presentes os chefes da Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã: Esmail Qaani e Ahmad Vahidi.

Qaani, o enigmático chefe da Força Qods, responsável por suas operações no exterior, declarou à televisão iraniana que o "fim abençoado" de Khamenei era apropriado após uma vida de "esforço".

Três filhos do falecido aiatolá estavam presentes, Masud, Mostafa e Meysam, segundo as imagens da televisão estatal. Mojtaba não.

O novo líder supremo, de 56 anos, supostamente ferido nos ataques de 28 de fevereiro, não foi visto em público desde esta data e tem se pronunciado apenas por mensagens escritas.

As autoridades declararam feriado neste domingo e na próxima segunda-feira (6), para facilitar a participação nas cerimônias, nas quais são esperadas ao menos 10 milhões de pessoas.

Sinal de força
Teerã considera as cerimônias como uma demonstração de força em plena negociação diplomática com os Estados Unidos, após a assinatura, no mês passado, de um acordo-quadro para pôr fim ao conflito.

Por ocasião dessa homenagem, o centro da capital iraniana foi transformado em uma fortaleza, com numerosos controles policiais, constatou a agência de notícias AFP.

Mesmo antes do início oficial da cerimônia, centenas de pessoas aguardavam na noite de sexta em frente à Grande Mosalla, na esperança de serem as primeiras a entrar. Seguindo a tradição xiita, muitos batiam no peito em sinal de luto.

"Os assassinos [de Khamenei] devem ser castigados", declarou à reportagem um homem de 38 anos que se identificou como Miremadi enquanto participava das orações neste domingo. "Estamos aqui para mostrar ao mundo que apoiamos nossa revolução e nosso líder, e exigimos vingança pelo sangue de nossos entes queridos", afirmou Bakand, uma mulher de 39 anos.

Na segunda-feira, o cortejo fúnebre percorrerá as ruas de Teerã. Depois passará por várias cidades do Irã e do Iraque, antes de seu sepultamento em 9 de julho na cidade santa de Mashhad, no nordeste do Irã, onde Ali Khamenei nasceu. As exéquias incluem uma visita a dois santuários xiitas em território iraquiano.

Grupos armados
Sob o comando de Ali Khamenei, o Irã forneceu durante anos apoio a grupos armados de toda a região, entre eles o movimento islamista palestino Hamas e o libanês Hezbollah. Para receber iranianos de todo o país, mais de 400 tendas do Crescente Vermelho iraniano foram instaladas em um grande parque da capital, verificou a reportagem.

Também foram colocados caminhões-pipa, prontos para refrescar a multidão diante de temperaturas que devem ultrapassar os 35°C.

Ao lado do caixão de Khamenei estão os de seus familiares que morreram junto com ele: uma de suas filhas, um genro, uma nora e uma neta de 14 meses, segundo as autoridades.