Meta manifestou discordância das conclusões, mas afirmou que continuará 'colaborando'AFP
Bruxelas acusou a gigante americana de tecnologia de não ter limitado os riscos que as plataformas representam para os usuários, especialmente crianças e adultos vulneráveis, devido às funcionalidades concebidas para prender sua atenção pelo maior tempo possível.
Se as orientações do regulador europeu sobre a meta for concluída, a UE poderá importar uma multa de até 6% do faturamento anual global da empresa.
“Proteger a saúde física e mental dos europeus deve ser uma prioridade para as plataformas de redes sociais”, afirmou em comunicado Henna Virkkunen, vice-presidente da Comissão Europeia para a Soberania Tecnológica.
Nos últimos meses, a UE intensificou seus esforços para obrigar as grandes empresas de tecnologia a proteger melhor os usuários, em particular as crianças.
Em um parecer preliminar divulgado sexta-feira, a Comissão Europeia nesta sexta-feira afirmou que “considera que a Meta deve implementar mudanças de design tanto no Instagram quanto no Facebook”, após concluir que as plataformas infringiram as normas europeias sobre conteúdo.
As mudanças poderiam incluir “desativar funcionalidades obrigatórias fundamentais, como a reprodução automática e a rolagem infinita, implementar pausas efetivas de tempo de uso e adaptar seu sistema de recomendações para que seja menos orientado à geração de engajamento”, acrescentou.
A Meta manifestou discordância das conclusões, mas afirmou que continuará "colaborando de maneira construtiva" com o bloco.
Uma alta autoridade da UE insistiu que Bruxelas não pretende punir as empresas.
“Queremos alcançar uma mudança, e se pudermos conseguir por meio de compromissos, ficaremos muito satisfeitos”, afirmou a fonte.
A UE emitiu um alerta semelhante ao TikTok em fevereiro deste ano, informando à empresa que deveria modificar seu design ou correria o risco de receber multas elevadas.
No entanto, a autoridade consultada ressaltou que existe uma “pequena diferença” em relação ao TikTok, já que “a Meta sempre se importa com a proteção dos menores na internet”.
Em seu parecer, Bruxelas sugeriu que as ferramentas de gerenciamento de tempo do Facebook e do Instagram podem ser desativadas facilmente, enquanto os controles parentais são apenas eficazes se os pais possuírem determinados conhecimentos técnicos.
A UE iniciou sua investigação sobre a Meta em 2024 com base na Lei de Serviços Digitais.
Essa legislação é uma das principais ferramentas obrigatórias pela UE nos últimos anos para conter o que Bruxelas descreveu como excessos das grandes empresas de tecnologia.

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