Primeira-ministra, Kristrun Frostadottir, durante votaçãoJonathan Klein / AFP
Os islandeses votaram no sábado (29) em um referendo acirrado sobre a retomada ou não das negociações de adesão à UE. Segundo a emissora pública RUV, após a contagem de todos os votos, 52,8% dos eleitores responderam "não" e 47,2% "sim".
O país, com apenas 400 mil habitantes, solicitou a adesão à UE após a crise financeira de 2009, que devastou sua economia, fortemente exposta a hipotecas 'subprime' americanas. As negociações, no entanto, foram suspensas em 2013 com a ascensão ao poder de um governo eurocético.
"Quero ser absolutamente clara: este governo não retomará as negociações de adesão durante esta legislatura", que se estenderá até 2028, afirmou a primeira-ministra islandesa, Kristrun Frostadottir, que havia se mostrado favorável à retomada das negociações.
Essa rejeição não é "um revés", mas "uma vitória para a democracia", acrescentou a líder social-democrata. Oito em cada dez eleitores participaram do referendo, que foi promovido pelo governo.
O resultado negativo congela qualquer discussão sobre uma possível adesão ao bloco até pelo menos 2028 e representa um grande revés para a UE, que parecia disposta a fazer concessões para que a Islândia se juntasse às suas fileiras.
A Islândia mantém uma estreita parceria com a UE por meio de sua participação no Espaço Econômico Europeu (EEE) e no Espaço Schengen de livre circulação, laços que devem permanecer inalterados. Diante da crescente pressão internacional, o atual governo quis avaliar a opinião pública para verificar se as pessoas eram favoráveis a uma integração mais profunda. Embora o resultado do referendo não seja vinculativo, o Executivo prometeu respeitá-lo.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse à primeira-ministra da Islândia, neste domingo, que o bloco "respeita plenamente a escolha democrática" dos eleitores, afirmou um porta-voz. "A Islândia continua sendo um dos parceiros mais próximos e confiáveis da UE", enfatizou o porta-voz de Costa, que representa os Estados-membros do bloco.
'Unir os dois lados'
Em todo caso, a votação "permitiu um debate renovado sobre a União Europeia, sobre o lugar da Islândia no mundo e, de forma mais abrangente, sobre o seu posicionamento geopolítico", disse Frostadottir no sábado.
A campanha mobilizou e dividiu profundamente os islandeses. Segundo a RUV, a participação foi de 82,5%, superior à das eleições parlamentares de 2009, no auge da crise econômica.
Em contraste, outra eleitora, Anna Maria Bogadottir, disse estar "muito feliz" com o resultado. "Agora temos que assimilar o resultado, pois ele nos apresenta o desafio de unir os dois lados, cada um representando 50% do país."
A pesca, que representa quase 40% das exportações do país, foi um dos principais pontos de discórdia durante a campanha. A Islândia quer manter o controle exclusivo, recusando-se a cumprir as cotas anuais estabelecidas por Bruxelas, que se mostrou disposta a encontrar "soluções criativas".
Para a União Europeia, que não admite nenhum país rico desde 1995, a adesão da Islândia teria sido vista como um sinal positivo de sua política de ampliação e teria permitido fortalecer sua presença no Ártico, uma região cada vez mais cobiçada.
Uma vitória do "sim" na Islândia também poderia ter reacendido o debate na Noruega, outro país muito próspero que continua relutante em aderir ao bloco.
