Niterói: vereadora destacou que seu mandato atua junto a movimentos sociais para ampliar horizontes e possibilidadesDivulgação

Niterói - A Justiça do Rio de Janeiro expediu mandado de prisão preventiva contra João Vitor Nascimento da Cruz, acusado de atuar como cafetão e explorar sexualmente travestis e mulheres transexuais em Niterói. A medida é resultado direto da denúncia formalizada ao Ministério Público, em janeiro deste ano, pela ativista dos direitos humanos e vereadora Benny Briolly, primeira parlamentar trans eleita e reeleita no Estado do Rio de Janeiro.
De acordo com a decisão judicial, a prisão preventiva foi decretada com base nos artigos 312 e 282 do Código de Processo Penal, para garantia da ordem pública e conveniência da instrução criminal, reconhecendo a gravidade dos fatos denunciados e a necessidade de interromper a atuação do investigado.
Desde que recebeu os relatos, Benny Briolly atuou de forma incisiva para que o caso fosse investigado, cobrando responsabilização e proteção às vítimas. A vereadora articulou ações junto ao Ministério Público, à Defensoria Pública e à rede de direitos humanos, enfrentando o que classificou como a máfia da cafetinagem em Niterói.
“Em Niterói ninguém toca nas minhas travestis”, afirmou a parlamentar, destacando que o decreto da prisão representa uma vitória concreta. “Tenho certeza de que essa decisão incentiva outras vítimas a denunciarem, entendendo que hoje existe uma mulher transexual eleita e reeleita no Estado do Rio de Janeiro capaz de conduzir essas denúncias de forma segura, com eficácia e responsabilidade.”
Benny ressaltou que o enfrentamento à exploração sexual precisa caminhar junto com o fortalecimento institucional. “É fundamental que a gente trabalhe ao lado do Ministério Público, da Defensoria Pública e dos órgãos competentes para que a justiça chegue, de fato, à vida dessas mulheres.”
O mandado de prisão preventiva é visto como um marco no combate à exploração sexual, prática marcada por violência, coerção e violações sistemáticas de direitos humanos, especialmente contra travestis e mulheres trans. “O histórico no Brasil não é fácil. Hoje, cerca de 90% das mulheres travestis e transexuais estão condicionadas à prostituição por falta de oportunidades de empregabilidade. A gente luta para acabar com a cafetinagem, mas também para enfrentar a responsabilidade do Estado, que falhou gravemente em garantir trabalho, renda e escolaridade”, afirmou.
A vereadora destacou que seu mandato atua junto a movimentos sociais para ampliar horizontes e possibilidades. “Nosso compromisso é abrir outros espaços para essas mulheres, para além das esquinas e das margens da sociedade.”
Para Benny Briolly, a prisão também carrega um simbolismo histórico. “Essa decisão lembra o sangue trans que mancha a história do Brasil. Lembra Xica Manicongo, Luana Muniz, Dandara, Chica da Silva e tantas outras que tiveram suas vidas interrompidas pela violência, pela exploração e pelo abandono do poder público.”
A parlamentar reforçou que o caso representa um divisor de águas. “Essa prisão é um marco histórico na sociedade brasileira. Representa a eficácia de uma atuação parlamentar comprometida, que denuncia, cobra investigação e enfrenta aqueles que ousam desafiar e violar nossos corpos.”
Benny também revelou que o acusado ocupava cargo público em Niterói e que, ao tomar conhecimento dos fatos, solicitou sua exoneração imediata. “Cada travesti e mulher trans que está hoje numa esquina está ali para garantir o pão de cada dia. Qualquer forma de cafetinagem coloca esses corpos em risco extremo.”
Diante de dados alarmantes — que colocam o Brasil como o país que mais mata travestis e transexuais no mundo —, Benny Briolly reafirma seu compromisso: “Como mulher trans e parlamentar, não posso me calar. Meu desafio é enfrentar essa máfia, mas também produzir políticas públicas para que o futuro das minhas irmãs seja diferente. Direitos humanos não se negociam.”