Baba Adailton Moreira d?Ogun Divulgação
Adailton Moreira d’Ogun: Ilê Omiojúàrô, 40 anos de tradição
Durante esta semana do dia 20 de abril, o Ilê Omiojúàrô completa 40 anos, a Casa das Águas dos Olhos de Oxóssi, terreiro de Candomblé fundado por Mãe Beata de Yemanjá no ano de 1985 em Miguel Couto, na cidade de Nova Iguaçu é atualmente liderado por Pai Adailton Moreira d’Ogun. Como uma referência local e internacional não só pela prática religiosa mas também como polo de difusão e realização das culturas negras e da defesa de direitos essenciais como enfrentamento ao racismo, direitos das mulheres negras, populações LGBTQIA+ e do bem viver, esse último diretamente conectado ao debate sobre mudanças climáticas, já puxado por nossa matriarca em 1992 durante a ECO92 e que este ano deságua nas discussões da COP30.
Na trilha desse legado o terreiro realiza durante esta semana até o dia 24 de abril o seminário FORÇA MATRIZ QUE SE FAZ MOTRIZ com dois dias de programação que reúne nomes como a ministra da Igualdade Racial Anielle Franco, a escritora Conceição Evaristo, a ex-ministra da Saúde Nísia Trindade e da ialorixá Mãe Meninazinha de Oxum e da professora Helena Theodoro, além de integrantes da própria casa.
Ao longo desses 40 anos o Ilê Omiojúàrô abrigou um grande número de reuniões por políticas públicas efetivas, e serviu de espaço para uma extensa lista de ações sociais e culturais, se caracterizando como uma casa promotora de cidadania e valorização dos direitos humanos. Reunindo movimentos sociais, ativistas comunitários, defensores da natureza, atuando contra a fome e promovendo ações de garantia da cidadania e acolhimento à diversidade.
Diante de constantes episódios de racismo religioso e necessidade de fortalecimento de políticas que efetivem nossa liberdade e garantia de direitos, partimos de nossa casa para construir agendas caras e que servem a toda população brasileira como fizemos no Fórum de Afrodescendentes das Nações Unidas este mês em Nova York. Outro exemplo da nossa casa e construção coletiva com outras casas e instituições da sociedade civil podem ser vistos no Observatório Mãe Beata de Yemanjá e no projeto Liberte Nosso Sagrado, esses exemplos pontuais e que podem ser melhor conhecidos em nossas redes são apenas alguns pontos que comprovam que nossos passos caminham para frente enquanto o que almejamos de sociedade mas vieram de muito antes.
Honrar nossa ancestralidade, combater todas formas de violências e respeitar todas as formas de vida são o que regem nosso modo de atuação no mundo que moldam um bom caráter e um boa ética, não apenas individual mas também coletiva. Viva Mãe Beata de Yemanjá! Viva o Ilê Omiojúàrô! Okê Arô!
Baba Adailton Moreira d’Ogun

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