Claudia MelloDivulgação

No estado do Rio de Janeiro, a Baixada Fluminense concentra os municípios com menores taxas de vacinação do país, e isso acende um alerta: crianças estão suscetíveis a adquirir doenças que podem ser prevenidas com vacinas aplicadas de forma gratuita e de fácil acesso nos postos de saúde.

Desde a confirmação de dois casos de sarampo na cidade de São João de Meriti, em 14 de março, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) tem atuado para reduzir o risco de transmissão da doença e iniciou o reforço de imunização contra o sarampo em dez municípios da Região Metropolitana, para o bloqueio no estado contra a volta da infecção contagiosa causada por um vírus da família Paramyxoviridae.

A SES-RJ se reúne periodicamente com as coordenações municipais de imunização, vigilância epidemiológica e atenção primária, e também promove capacitações de profissionais de saúde para a vacinação em geral.

Dez anos atrás, o estado do Rio de Janeiro alcançava coberturas vacinais que ultrapassaram a meta de 95% preconizada pelo Ministério da Saúde. Desde 2016, as vacinas passaram a ser menos procuradas pela população, mas temos trabalhado para reverter esse quadro e já conseguimos observar uma melhora no cenário, ainda longe do ideal.

Em 2024, a cobertura da 1ª dose da vacina Tríplice Viral (sarampo, caxumba e rubéola), para crianças aos 12 meses de idade, ficou em 86,65%; a 2ª dose, para crianças com 15 meses, em 68,17%.

Em 2023, a situação era mais alarmante: a 1ª dose da Tríplice ficou em 75,51%, a 2ª, em 59,72%.

Já em janeiro de 2025, há sinais animadores. Até 1º de fevereiro, a cobertura da 1ª dose da Tríplice foi além da meta, alcançando 109,26%; a segunda dose ficou em 82,95%. No entanto, é cedo para avaliar como será ao longo de todo o ano, e os baixos índices de anos anteriores indicam que há crianças não vacinadas que devem ser imunizadas o quanto antes.

Embora os índices venham melhorando, as aplicações de todas as vacinas do Calendário Nacional de Vacinação (para recém-nascidos, crianças com menos de 1 ano e com 1 ano de idade) ficaram distantes da meta no estado do Rio de Janeiro, em 2023 e 2024. No ano passado, lançamos a campanha Vai de Vacina, Não Vacila, com o objetivo de impulsionar os índices de imunização em todo o estado.

Desde 7 de abril, o país está em campanha contra a gripe. A SES-RJ inclusive antecipou o início da vacinação da influenza para 2 de abril. Em 2024, a cobertura vacinal da influenza no estado ficou em 44,93%; em 2023, atingiu 45,02% do público-alvo. Este ano, a estimativa é vacinar até 7 milhões de pessoas. A baixa procura pela vacina, que protege contra as cepas H3N2 e H1N1, pode levar ao aumento de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), que pode ser fatal, principalmente entre idosos.

Na Semana Mundial de Imunização, iniciada na última quinta-feira, 24/04, e que vai até hoje, 30 de abril, deixamos mais um apelo: ao deixarmos de vacinar nossas crianças, corremos o risco de que ocorram casos mais graves de síndromes respiratórias ou de sarampo, caxumba, rubéola, coqueluche ou poliomielite, doenças que só deixaram de ser comuns por termos um histórico expressivo de vacinação.

Temos que garantir um futuro mais saudável para as novas gerações. Vamos de vacina!  
Claudia Mello é secretária estadual de Saúde do Rio