Paulo FortunatoLuis Fernando Lara

Lorena Cruz tem 10 anos e vive com a família na Praia do Aventureiro, na Ilha Grande. A primeira vez que saiu de Angra dos Reis foi para conhecer um universo em que a leitura é o personagem principal. Ela e outros 3.730 alunos da rede municipal de ensino participam da 25ª Bienal do Livro do Rio de Janeiro, a maior feira literária do Brasil, que vai até o próximo dia 22.
Cada estudante de Angra ganhou um cartão com R$ 200 para comprar livros, enquanto 1.667 professores, gestores, pedagogos e auxiliares de biblioteca receberam R$ 1 mil. A logística de transporte envolveu 138 ônibus alugados pela Prefeitura, que montou o único estande de cidade do interior do estado na Bienal. Ao todo, o investimento do município foi de R$ 4 milhões.
Os números reforçam a educação como uma das prioridades da gestão municipal e revelam o esforço que Angra tem feito para ampliar o acesso à leitura, principalmente de seus alunos. Em sua essência, o ato de ler conecta o indivíduo com o mundo ao seu redor. Por meio das histórias contadas desde a mais remota infância, os estudantes adquirem, ao longo da vida escolar, a capacidade de interpretar o que se lê.
Isso porque a leitura da palavra é sempre precedida da leitura do mundo. Aprender a ler e escrever é compreender o seu entorno, o seu contexto, não apenas uma articulação mecânica de palavras, mas uma relação dinâmica entre linguagem e realidade. É fazer dessas habilidades instrumentos sociais que possibilitam o argumento, o questionamento, a construção e a reconstrução de significados.
Assim, a rede pública municipal de ensino de Angra fez da leitura e da escrita o eixo central de todas as etapas da educação básica e de seus componentes curriculares. Além de formar estudantes autônomos, as ações pedagógicas desenvolvidas nas escolas de Angra têm por objetivo diagnosticar em que nível de leitura os estudantes se encontram, para que os gestores possam intervir com estratégias que aprimorem o processo de ensino e aprendizado.
Isso se dá na sala de aula, mas também em locais pensados especialmente para estimular os estudantes – desde a pré-escola até o 9º ano – a estabelecerem, de maneira lúdica, contato com os diversos gêneros literários. Tais esforços, empreendidos nos últimos anos, já apresentam resultados concretos. Em 2023, Angra alcançou o melhor resultado na série histórica do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para os anos iniciais (nota 5,79) e finais (nota 4,51) do ensino fundamental.
Além disso, em 2024, a Prefeitura criou um programa de investimento na Educação da ordem de R$ 46 milhões. Os recursos foram aplicados em material didático e pedagógico, itens esportivos, equipamentos, mobiliário e melhorias na infraestrutura das escolas.
Por isso, mais que um motivo de orgulho, levar os alunos à Bienal do Livro é parte do compromisso educacional de Angra em fomentar o respeito ao conhecimento, à diversidade, à liberdade de pensamento. É mais que comprar livros; é contribuir para a formação intelectual, a ampliação do repertório cultural e o desenvolvimento do senso crítico de cidadãos conectados com os desafios do nosso tempo.
Paulo Fortunato é secretário Municipal de Educação, Juventude e Inovação de Angra dos Reis