Nós, pais, deste momento da vida, estamos numa enrascada, parece que não podemos mais fazer opções seguras aos nossos filhos. Outro dia vi uma reportagem de uma criança que foi a um aniversário de um amiguinho de 5 anos e acabou sendo abusada lá, na casa do amigo, por alguém que participou do aniversário. Mandar o filho pra fora do Brasil pra fazer intercâmbio nunca foi tão arriscado: drogas, envolvimento com grupos neonazistas, políticos, entre tantas outras situações tem sido freqüente.
Estudantes estrangeiros estão sendo expulsos e devolvidos aos seus pais sem explicação. No Brasil, os alunos das faculdades de nome têm sido flagrados com mensagens misóginas, racistas e preconceituosas, em faixas e cartazes, sem medo e impunes.
Adolescentes agora são a bola da vez depois que pais, sem qualquer critério de avaliação, assistiram a irresponsável série da NETFLIX sobre adolescência. Houve inclusive um movimento de grandes escolas privadas de São Paulo, depois da tal série hecatombeana, no sentido de vigiar e punir jovens que, supostamente estão tendo problemas com internet, quando na verdade o problema está dentro das salas das casas, nas mesas de almoço e jantar e, sobretudo, nos quartos de dormir (?): quais são os valores educativos e humanos que meu filho tem? O que eu trago de bom e o que eu deixo de bom ao meu filho todos os dias?
O que eu quero alertar aqui é para a nossa condição finita de entendimento paterno/materno, diante das vulnerabilidades infinitas do mundo atual. Não temos respostas seguras e quem disser que as tem está, de fato, mentindo. Nós, pais e mães, deste momento da vida só temos uma saída, a de olhar em profundidade, estupidificados, e buscar juntos com nossos filhos, uma brecha para uma compreensão da vida.
Sem respostas prontas. Temos que parar de ouvir pessoas falando na internet o que fazer, quando fazer, e como fazer. Precisamos olhar pra dentro de nós e nos perguntar, verdadeiramente: quem somos nós. Esse será nosso recomeço.
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