Roberto Rangel - RIOSAÚDEDivulgação

A hepatite viral é uma séria ameaça à saúde pública global. Em 2022, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 296 milhões de pessoas viviam com hepatite B crônica e 58 milhões com hepatite C crônica. O Dia Mundial da Hepatite, celebrado em 28 de julho, homenageia o Dr. Baruch Blumberg (1925–2011), que descobriu o vírus da hepatite B em 1967, desenvolveu a primeira vacina contra a doença dois anos depois e recebeu o Prêmio Nobel de Medicina em 1976.
A data é uma das oito campanhas oficiais de saúde da OMS e busca ampliar a conscientização sobre o impacto global das hepatites virais, que afetam mais de 350 milhões de pessoas em todo o mundo. Importante aproveitar esta ocasião para reforçar a prevenção, a triagem e o tratamento das hepatites B e C — responsáveis pelas formas mais graves e crônicas da doença.
No Brasil, o “Julho Amarelo” foi instituído pela Lei nº 13.802/2019 para fortalecer ações de vigilância, prevenção e controle das hepatites virais ao longo do mês. As hepatites são inflamações do fígado causadas, principalmente, pelos vírus A, B, C, D e E, embora também possam resultar do uso de álcool, medicamentos, drogas, além de doenças autoimunes ou metabólicas.
Muitas vezes silenciosas, as hepatites podem se manifestar por sintomas como cansaço, febre, enjoo, dor abdominal, urina escura, fezes claras e olhos amarelados. A hepatite A está relacionada a condições precárias de saneamento, é geralmente benigna e possui vacina. A hepatite B é transmitida, sobretudo, por contato sexual e sangue contaminado — e também é prevenível por vacina. Já a hepatite C, que não possui vacina, é a principal causa de transplantes de fígado e tem como principal forma de transmissão o contato com sangue.
As formas de contágio variam: a hepatite A é transmitida pela via fecal-oral; B e C, pelo contato com sangue contaminado, uso compartilhado de objetos perfurocortantes ou relação sexual desprotegida. A transmissão vertical (de mãe para filho) ocorre principalmente durante o parto. Devido ao avanço na triagem de sangue e controle de qualidade, a transmissão por transfusão se tornou rara.
As hepatites A, B e C podem ter formas agudas — geralmente curáveis —, mas B e C podem se tornar crônicas e evoluir para cirrose ou câncer de fígado. Por isso, a eliminação dessas formas crônicas é prioridade da OMS até 2030. A baixa cobertura de testagem e tratamento é o principal obstáculo a ser enfrentado.
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece testagem gratuita e tratamento para hepatites B e C, conforme os protocolos do Ministério da Saúde. O maior desafio é a falta de diagnóstico: estima-se que muitas pessoas convivam com a infecção sem saber. A recomendação é que todas as pessoas com 40 anos ou mais façam o teste nas unidades de saúde. Em caso positivo, o tratamento é disponibilizado gratuitamente pela rede pública.
Roberto Rangel é presidente da Empresa Pública de Saúde do Rio de Janeiro (RioSaúde)