Daniela Santa CruzDivulgação

Nestes trinta e um meses à frente da Cidade das Artes Bibi Ferreira, pude trabalhar para a melhor cidade do mundo, devolver em serviço tudo o que o Rio me proporcionou e testemunhar um movimento vigoroso: o da cultura como direito, como linguagem de pertencimento e como vetor de desenvolvimento humano e social. A Cidade das Artes é mais que uma obra arquitetônica de rara beleza projetada em concreto por Christian de Portzamparc. Ela é um equipamento da Prefeitura do Rio de Janeiro de onde é possível ver o mais lindo pôr do sol e que pulsa como espaço de criação, fruição e convivência — um lugar onde a arte e a cidadania se encontram com qualidade e pluralidade.

Temos um compromisso inegociável com a democratização dos seus espaços. Com uma programação diversa, alcançamos públicos de todas as idades, classes sociais, religiões e identidades. O lançamento do edital inédito de ocupação de pautas em 2024 e a implantação da Biblioteca Municipal Ziraldo são marcos dessa política de ampliação do acesso e de fortalecimento da leitura como prática de liberdade.

Entendemos que garantir o acesso passa também pela formação de novos públicos. Nesse espírito, criamos um programa próprio de Formação de Plateia, que em 2024 garantiu que quase 4.000 pessoas da rede pública de ensino e de organizações sociais entrassem pela primeira vez em um teatro. Até julho de 2025 já distribuímos a mesma quantidade.
A Cidade das Artes também é palco de importantes produções internacionais — como a Compagnie Käfig, em setembro desse ano, e o Ballet Nacional da China, em outubro — mostrando que a cidade está realmente integrada ao circuito global da cultura. Recebemos importantes eventos, como o Rio2C, o Energy Summit, a Expofavela, grandes shows nos jardins, sempre com muito cuidado para que os espetáculos apresentados nos teatros ocorram com a maior qualidade técnica possível, gerando assim uma intensa agenda cultural no local.

E a experiência vai além dos palcos. Quem percorre a Cidade das Artes encontra um território de contemplação: esculturas de Iole de Freitas, Carlos Vergara, Bordalo, Tomás Ribas e Andrey Guaianá Zignnatto convivem com o Projeto Morrinho e a Maquete Lego da Cidade do Rio de Janeiro. E para aqueles que têm interesse em conhecer os detalhes dos teatros, das produções, da arquitetura e da nossa competente equipe técnica, o projeto Visita Guiada mostra as curiosidades e as características de cada espaço, revelando os bastidores da produção cultural e apresentando aos jovens algumas profissões que permanecem invisíveis no backstage.

A Cidade das Artes é, portanto, um instrumento de política pública cultural, mas também um organismo vivo, em sintonia com a pluralidade da nossa sociedade e com os princípios do Estado Democrático de Direito. Mais do que espaço de espetáculos, ela é território de encontros, escuta, diversidade e invenção. Que possamos seguir reafirmando a cultura como direito essencial — e reconhecendo que investir em arte é investir em liberdade, em dignidade e em futuro.
Daniela Santa Cruz é presidente da Cidade das Artes, doutora em Direito da Cidade e advogada