Jessica PinhaDivulgação
Mais do que uma questão estética, o excesso de peso na infância está associado ao aumento expressivo de doenças crônicas que antes eram restritas à vida adulta. Diabetes tipo 2, hipertensão arterial, colesterol alto, problemas nas articulações, distúrbios respiratórios e até apneia do sono já aparecem cada vez mais cedo. Estudos apontam que crianças com obesidade podem ter até quatro vezes mais risco de desenvolver essas condições antes dos 18 anos.
Os impactos não se limitam ao corpo. Pesquisas mostram que crianças com obesidade são até três vezes mais propensas a sofrer com depressão e ansiedade, muitas vezes em consequência do bullying e da baixa autoestima. O peso, nesse caso, não está apenas no corpo, mas também nas emoções e no desenvolvimento social.
Outro dado preocupante é a relação direta entre obesidade infantil e obesidade na vida adulta. Estudos revelam que nove em cada dez crianças obesas tornam-se adultos obesos, o que significa carregar ao longo da vida um risco maior de desenvolver doenças cardiovasculares, distúrbios metabólicos e transtornos emocionais. Ou seja, a infância é um ponto decisivo: é nela que se pode interromper ou perpetuar esse ciclo.
Entre os fatores que explicam esse crescimento acelerado estão o sedentarismo, a alimentação inadequada e o sono de má qualidade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 80% das crianças brasileiras são sedentárias, mesmo que aprendam a andar antes dos dois anos. O tempo excessivo em frente às telas, a falta de espaços para brincar e a rotina atribulada das famílias contribuem para a redução do movimento diário. Além disso, hábitos alimentares baseados em produtos ultraprocessados, ricos em açúcar, gordura e sódio, intensificam o quadro. O sono irregular também compromete o equilíbrio hormonal e o controle do apetite, criando um tripé perigoso para a saúde infantil.
A obesidade infantil é um problema multifatorial, que exige um olhar atento da sociedade como um todo. Não se trata de culpar famílias ou crianças, mas de compreender que a prevenção passa por educação alimentar, incentivo à prática regular de atividades físicas, criação de ambientes saudáveis e acompanhamento médico adequado desde cedo.
O que começa na infância pode marcar toda uma vida. Se não enfrentada, a obesidade infantil ameaça não apenas o futuro das crianças, mas também a saúde coletiva, já que aumenta a demanda por tratamentos de longo prazo e impacta diretamente os sistemas de saúde.
Tratar o tema com seriedade é, portanto, um compromisso social. Garantir às crianças a chance de crescerem com saúde, autoestima e qualidade de vida é uma das maiores responsabilidades do nosso tempo. A infância deveria ser um período de leveza e descobertas, e não de limitações impostas pelo peso de uma epidemia que pode — e deve — ser combatida.

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