DOUGLAS DE SOUZA ARAÚJODIVULGAÇÃO
Na COP30, a cidade recebeu o Local Leaders Awards 2025, da Bloomberg Philanthropies, pela categoria “Infraestrutura mais segura para um mundo em mudança”. O reconhecimento veio pelo Protocolo de Enfrentamento ao Calor Extremo, lançado em 2024, que integra dados meteorológicos e de saúde para prever riscos e orientar ações rápidas. O sistema estabelece níveis de alerta (Calor 1 a 5) e coordena órgãos municipais na proteção da população durante ondas de calor.
Esses avanços mostram que o Rio deixou de ser palco para se tornar ator estratégico da diplomacia urbana. Quando desenvolvi a pesquisa “Paradiplomacia no Rio de Janeiro – De palco a ator na agenda ambiental”, em 2018, buscava entender como cidades podem ocupar espaço nas Relações Internacionais. Hoje, essa discussão é ainda mais relevante.
A atuação internacional de governos subnacionais — a Paradiplomacia — encontra no Rio um caso concreto. A cidade não só sediou a Rio+20, como também presidiu a rede C40, tornando-se o primeiro representante do hemisfério sul a liderar o maior consórcio mundial de cidades comprometidas com a redução de emissões. Enquanto a diplomacia brasileira seguia concentrada na União, o Rio mostrava que prefeituras também podem moldar agendas globais.
Ações locais reforçaram essa projeção internacional: a implantação dos corredores BRT, o fechamento do lixão de Gramacho e programas de reflorestamento traduziram compromissos globais em políticas públicas. Em 2015, o Rio tornou-se a primeira cidade do mundo a cumprir integralmente o Pacto Global de Prefeitos pelo Clima — feito pouco lembrado no debate público nacional.
Em 2025, a Subprefeitura da Zona Norte implementou o Recicla ZN em grandes eventos, recolhendo cerca de 1,5 tonelada de resíduos recicláveis. Materiais como latas e garrafas passaram a beneficiar cooperativas credenciadas à Comlurb, gerando renda e reduzindo impactos ambientais.
A experiência carioca mostra que a política internacional não é exclusividade de chanceleres. As cidades, por estarem próximas das urgências cotidianas, transformam orientações globais em soluções concretas. O Rio demonstra que é possível articular diplomacia, urbanismo e ação climática, apesar dos desafios de uma grande metrópole.
Por isso, a Paradiplomacia precisa ser política de Estado local, e não apenas de governo. O caso carioca lembra que o futuro do planeta também se decide nas cidades. Quando prefeitos e cidadãos assumem responsabilidades globais, a diplomacia deixa de ser distante e passa a fazer parte do nosso cotidiano.
O maior legado da Paradiplomacia carioca é reconhecer o papel de vanguarda do Rio na ação climática global e transformar essa vocação em política permanente. Nenhuma cidade é apenas cenário — todas são protagonistas.

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