Raul VellosoDivulgação

Conforme sugerem vários relatórios de execução financeira publicados recentemente, em pior situação que os demais segmentos, nosso Governo Central continua acumulando sucessivos resultados negativos nas suas contas, algo que deverá ocorrer pelo menos até 2027. Mais precisamente, o que se aponta é uma piora significativa nas projeções para o resultado primário (receitas menos despesas não-financeiras) e para a dívida pública.
Tenho dito e repetido que os rombos fiscais acumulados nos últimos anos decorrem da forte elevação nos gastos com aposentadorias e assistência social, os grandes vilões dessa dramática história. Ou seja, uma reforma nessa área se mostra essencial, mas a dúvida que fica é se governos de esquerda liderados por um político como Lula se disporão a enviar ao Congresso uma nova proposta capaz de mudar, nesse sentido, as regras que tratam da concessão dos chamados benefícios sociais. Na verdade, em vez disso, o governo tem cortado outros gastos, como, por exemplo, os investimentos em infraestrutura, jogando simultaneamente para baixo as possibilidades de maior crescimento do nosso PIB nos anos à frente.
Esse tem sido, na verdade, um processo bastante complexo, e de difícil percepção para a maioria das pessoas. O que temos de combater, na verdade, é algo que costumo chamar de uma complicada armadilha de baixo crescimento da nossa economia, em que, na raiz de tudo se situa um processo de rápido envelhecimento da população brasileira, que, por sua vez, vem levando a uma forte subida do conjunto dos gastos previdenciários e assistenciais, em detrimento do que ocorre com os gastos de investimento em infraestrutura, tudo isso representando, a meu ver, o “x” da questão.
Voltarei ao tema com maiores detalhes em minha próxima coluna.