Taina de Paula e Ricardo PinheiroDivulgação

A arborização urbana vai muito além de um simples gesto estético ou ambiental. Ela representa um compromisso coletivo com a qualidade de vida, o equilíbrio ecológico e o futuro sustentável das cidades. As árvores são, sem exagero, equipamentos urbanos tão essenciais quanto o asfalto, a iluminação pública ou o saneamento básico. Elas purificam o ar, reduzem o calor, diminuem o ruído das ruas e proporcionam sombra e conforto térmico, um alívio cada vez mais necessário diante do avanço das ilhas de calor nos grandes centros urbanos.

Porém, nem toda rua pode ser imediatamente arborizada. É preciso planejamento. As cidades carregam sob o solo uma teia de tubulações e, acima delas, redes de energia e comunicação que interferem na implantação das árvores. A arborização eficiente exige diagnóstico técnico, escolha adequada das espécies e integração com outras infraestruturas urbanas. Mais do que plantar por plantar, é preciso pensar a árvore como parte de um sistema vivo, conectado à cidade e à natureza que a cerca.

Nesse contexto, a criação de corredores ecológicos é uma estratégia fundamental. Eles permitem o trânsito de espécies e a conexão entre unidades de conservação, ampliando o alcance dos benefícios ambientais da vegetação. Quando bem planejadas, as árvores urbanas não são apenas sombras isoladas, elas se tornam elos de um ecossistema que respira dentro do concreto.

Mas o poder público não pode agir sozinho. A população também tem papel decisivo nesse processo. Cuidar das árvores existentes, plantar em calçadas e praças, e respeitar os espaços verdes é assumir uma responsabilidade cidadã. Iniciativas como o Planta + Rio, por exemplo, reforçam a importância da participação comunitária na construção de uma cidade mais verde e mais humana.

O programa é idealizado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima do Rio de Janeiro (SMAC) e pela Fundação de Parques e Jardins (FPJ), visa implementar ações sustentáveis alinhadas aos princípios do Plano de Desenvolvimento Sustentável e Ação Climática (PDS), em diálogo com que está no Plano Diretor de Arborização Urbana (PDAU), onde as políticas do Rio foram aprovadas e precisa seguir com foco na ampliação da cobertura arbórea viária na Cidade Maravilhosa.

O projeto faz parte das políticas públicas do Rio e, entre os principais objetivos estão a criação de corredores verdes, ilhas de resfriamento e bosques cariocas por meio do plantio de 80 mil mudas e da produção de 90 mil mudas de árvores, entre 2025 e 2028.

Em pouco mais de 15 dias de abertura dos trabalhos, o Planta + Rio já recebeu 504 pedidos de plantios, de todas as regiões da cidade, como Tijuca, Botafogo, Campo Grande, Recreio dos Bandeirantes, Todos os Santos, dentre outros. Essa movimentação revela uma participação popular intensa e também mostra o quanto o Rio de Janeiro, e os cariocas, querem uma cidade cada vez mais maravilhosa, além de representar uma confiança no trabalho exercido pelo poder público.

O Planta+RIO representa um passo decisivo rumo a uma cidade mais verde, resiliente e saudável para todos. Arborizar é, portanto, um ato político, ambiental e afetivo. Cada árvore plantada é um investimento em ar puro, em bem-estar e em futuro. Porque uma árvore nunca é apenas uma árvore, é a semente de um mundo melhor.
Taina de Paula é arquiteta, vereadora licenciada e Secretária Municipal de Meio Ambiente e Clima da da Cidade do Rio de Janeiro.

Ricardo Pinheiro é publicitário, especialista em Gestão Pública pela Universidade Cândido Mendes. Atualmente Presidente da Fundação Parques e Jardins da Cidade do Rio de Janeiro.