Marcos Espínola 2025Divulgação

O ano de 2025 encerrou com uma notícia positiva para a segurança pública do Rio de Janeiro. Levantamento realizado pela área de inteligência da Secretaria de Estado de Polícia Militar do RJ revelou que num período de seis anos – de 2020 a 2025 -, houve um aumento expressivo de 223% do número de fuzis apreendidos por policiais militares no estado, enquanto, no mesmo intervalo de tempo, os confrontos armados com criminosos registraram redução de 31,7%. São números que comprovam não só a eficácia da polícia, mas também que se houver mais investimento nas corporações e apoio federal esses resultados tendem a ser ainda maiores.
Somente em 2025, foram apreendidos 811 fuzis, um recorde absoluto na série histórica de apreensões dessas armas por policiais militares. Também no ano passado, foram 2058 confrontos armados, 954 a menos do que em 2020. Num ambiente onde a percepção que a violência aumenta, essa constatação pode parecer estranha, porém demonstra que há caminhos para ações ostensivas da polícia, sufocando o contrabando e/ou trânsito das armas ilegais que chegam à cidade. Vale ressaltar que o levantamento constatou que, igual a 2024, mais de 50% dos fuzis apreendidos estavam em comunidades sob influência da facção Comando Vermelho. Isso demonstra que precisamos avançar na retomada territorial.
Segundo o mesmo levantamento, apenas 5% dos fuzis apreendidos foram fabricados pela indústria brasileira, significando que mais de 95% foram entregues aos criminosos via tráfico internacional de armas. Além disso, é cada vez maior o número de fuzis contrabandeados em peças separadas e montados por armeiros contratados por facções criminosas. Dos 811 fuzis apreendidos em 2025, estima-se que 35% deles eram de modelos não identificados, ou seja, são montados com peças de diferentes procedências.
Certamente, com investimento em tecnologia e treinamento da tropa, segundo a própria PM relatou, é possível ações mais cirúrgicas e baseadas em informações de inteligência. E isso foi perceptível em várias ocasiões, onde a PM utilizou drones, câmeras capazes de registrar imagens noturnas, softwares sofisticados, entre outros equipamentos e programas de última geração, chegando a locais com verdadeiros arsenais.
O fato é que as armas de guerra continuam chegando ao Rio e sendo entregue às facções criminosas e que a Polícia Militar tem trabalhado arduamente, atuando com informações da área de inteligência da Corporação, porém, como alertamos há tempos, carecemos, cada vez mais, de ações integradas, essencialmente com a participação federal no combate ao tráfico internacional de armas.

Marcos Espínola é advogado criminalista e especialista em segurança pública