Márcio AyerDivulgação
Temos observado atentamente as novas estratégias dos grandes grupos econômicos para moldar a exploração do trabalho nos próximos anos. O que vemos é um plano para desmontar direitos e as instituições que os defendem.
Os sindicatos foram sufocados financeiramente e as instituições que deveriam nos proteger – como a Justiça do Trabalho e a fiscalização do Ministério do Trabalho – estão sendo propositalmente enfraquecidas. O que se vê nos cortes de verbas, nos projetos que limitam seu poder e na narrativa pública que os desacredita. Movimentos de uma estratégia calculada para enfraquecer nossa voz e retirar direitos conquistados com muita luta.
Nossa recente mobilização pelo fim da escala 6x1, por exemplo, forçou um debate relevante na sociedade e no Congresso. A resposta da bancada patronal, porém, foi imediata, com uma enxurrada de projetos (PLs e PECs) para que tudo permaneça como está – ou fique até pior.
São propostas para fazer da precarização a regra do jogo: desde manter as jornadas exaustivas, até disseminar o trabalho intermitente e a “pejotização” completa do mercado.
Não vamos aceitar mudanças que só disfarçam o problema. Nossa luta é pelo equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, com a redução da jornada sem corte de salários e a manutenção de todos os direitos e garantias da CLT.
Essa resistência se torna ainda mais urgente diante da crescente automação no varejo. A inovação deveria servir para libertar o trabalhador das tarefas repetitivas, não para desumanizar o trabalho, com sensores para controlar todos os movimentos do trabalhador e a imposição de metas inalcançáveis por algoritmos.
No final das contas, porém, quem vai definir se a tecnologia será aliada ou carcereira será o poder político. Por isso, precisamos de leis fortes e de uma Justiça do Trabalho que funcione para nos proteger.
A participação sindical na política deixa de ser opcional e se torna questão de sobrevivência para a classe trabalhadora. Os sindicatos têm o papel crucial de ajudar os trabalhadores a votar de forma consciente, decifrando os discursos e mostrando quem realmente está do nosso lado.
O voto será nossa principal ferramenta para frear esses ataques, com ampla renovação do Congresso Nacional nas próximas eleições. Só vamos conseguir virar esse jogo se elegermos uma maioria de parlamentares comprometidos de verdade com a nossa luta. A reconquista da nossa humanidade no trabalho começa na conscientização e se consolida nas urnas. É com organização política nos locais de trabalho e voto consciente que vamos defender nosso futuro.

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