NICHOLAS MARSHELLDIVULGAÇÃO

Nos últimos 30 anos, três tecnologias dominaram o mundo: internet, celular e computador. Essa revolução, que começou de forma separada, se consolidou em um único ecossistema. Hoje, celular e computador são essencialmente a mesma coisa, com diferenças apenas de tamanho e potência.
Mas a indústria global começa a enxergar uma nova fronteira. Com a explosão da inteligência artificial e a redução de custos para embarcar essas tecnologias em dispositivos acessíveis, muitas empresas entenderam que o próximo salto será por meio dos nossos olhos.
Estive na CES, em Las Vegas, a maior feira de tecnologia do mundo, e o que vi foi um desfile de lançamentos de óculos inteligentes. Centenas de empresas, de gigantes como Meta, Samsung, LG e TCL, apresentaram suas apostas no que parece ser a nova corrida da computação pessoal. O destaque é o modelo da Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, que chamou atenção pela integração fluida entre visão e comandos por voz.
E por que esse movimento agora? Simples. Os smartphones chegaram ao seu platô. Todos os anos, as atualizações se concentram em câmeras, processadores e pequenos ajustes de sistema. Não vemos nada de essencialmente novo em termos de funcionalidade há quase uma década. Um celular de dez anos atrás já tirava fotos, fazia vídeos e enviava mensagens. Melhorou? Claro. Mas inovou? Muito pouco.
A Apple, por exemplo, vem sendo criticada por lançamentos repetitivos. Mas a verdade é que ninguém fez nada realmente revolucionário nesse tempo. Até agora.
A indústria percebeu que os olhos e a voz podem ser a próxima grande interface entre humanos e máquinas. E os óculos inteligentes representam esse novo ponto de virada. Eles não exigem que você use as mãos. Com comandos de voz, gestos ou simples direcionamento do olhar, esses dispositivos podem exibir mensagens, mapas, notificações e até realizar tarefas. Tudo isso projetado em minidisplays embutidos nas lentes.
O que antes parecia ficção científica agora é realidade comercial. Como se tivéssemos o Jarvis do Tony Stark, só que em um par de óculos. A promessa é nos manter conectados o tempo inteiro, sem precisar de telas nas mãos. Alguns especialistas alertam para os danos causados pelo uso excessivo do celular, como problemas de sono, visão e até dores no pescoço. Os óculos podem não resolver todos esses pontos, mas certamente mudam a ergonomia da interação digital.
Testei alguns modelos na CES e posso dizer com tranquilidade: pedir algo ao óculos por comando de voz é muito mais rápido e natural do que navegar por menus no celular. A resposta é instantânea. A sensação de ter uma interface digital acoplada ao seu campo de visão é, pela primeira vez, a materialização real da fusão homem e máquina.
Como embaixador da tecnologia do estado do Paraná e presidente do Ideas Hub, sigo acompanhando de perto essa transformação. Meu papel é antecipar, testar e traduzir esse futuro em conhecimento acessível. E posso afirmar com segurança: os próximos anos não serão sobre segurar um smartphone. Serão sobre ver o mundo digital com outros olhos.
Nichollas Marshell é Embaixador da Tecnologia do estado do Paraná e presidente da ICT Ideas Hub