Felipe Conde DIVULGAÇÃO

O endométrio é o tecido que reveste a parte interna do útero. Quando células dessa região passam a se multiplicar de forma descontrolada, surge o câncer de endométrio: um dos tumores ginecológicos mais comuns.
O sinal de alerta mais frequente é o sangramento vaginal anormal. Em mulheres após a menopausa, esse sintoma merece atenção imediata: qualquer sangramento nessa fase não deve ser tratado como “coisa da idade” ou “desajuste do corpo”. Já na pré-menopausa, o aviso pode vir em forma de menstruações muito irregulares, sangramentos entre um ciclo e outro, ou mudanças importantes no padrão habitual.
Outros sinais podem aparecer ao longo do tempo, como dor pélvica persistente, perda de peso sem causa aparente e sensação de aumento do volume abdominal. Nem sempre eles surgem juntos. Por isso, o ponto-chave é simples: mudou o padrão, investigue.
A boa notícia é que, quando identificado em estágios iniciais, o câncer de endométrio costuma ter bom prognóstico. Em muitos casos, a chance de sobrevivência em cinco anos pode chegar a 80% a 85%. Essa diferença não acontece por acaso. Ela depende de informação, de vigilância e, principalmente, de decisão rápida: procurar avaliação médica o quanto antes.
Também é importante lembrar que a medicina evoluiu muito na forma de tratar. Durante décadas, a cirurgia para retirada do útero exigia grandes incisões abdominais e um pós-operatório mais longo. Hoje, quando é tecnicamente possível e seguro, procedimentos minimamente invasivos, como laparoscopia e cirurgia robótica, mudaram o padrão de cuidado.
Na laparoscopia, pequenas incisões permitem a entrada de uma câmera e instrumentos delicados, com alta precisão. A cirurgia robótica é uma evolução dessa técnica, oferecendo visão ampliada em três dimensões e maior liberdade de movimento, o que contribui para um procedimento mais controlado. O resultado, para muitas pacientes, é bem concreto: menos dor, menor tempo de internação e retorno mais rápido às atividades, geralmente em duas a três semanas, sempre preservando a segurança oncológica.
No fim, a estratégia mais inteligente contra o câncer de endométrio é combinar atenção aos sinais com encaminhamento correto. Sangramento fora do padrão não deve ser normalizado. Pode ser justamente o aviso que faz toda a diferença entre um tratamento mais simples e um caminho muito mais difícil.
Felipe Conde é cirurgião geral e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica