Júlio FurtadoDivulgação
Por uma educação antimisógina
A misoginia é um problema social em que mulheres e meninas são tratadas como seres inferiores, sofrendo abusos verbais e sexuais ou agressões físicas. A misoginia começa muito cedo na família, através da mídia e na escola. É essencial que a educação formal tenha currículos explícitos sobre a prevenção e a desconstrução da misoginia desde a mais tenra idade.
As crianças aprendem desde cedo que existem coisas específicas que são para meninos ou meninas. A forma como a sociedade vê esses itens muitas vezes se baseia em um sistema de valores criado em nossa cultura. Por exemplo, o feminino é frequentemente considerado fraco ou menos competente do que as características masculinas. Esses estereótipos precisam ser combatidos, pois sua perpetuação pode levar, em última análise, a uma maior desigualdade de renda, bem como a outras a outras formas de violência contra as mulheres.
Apenas evitar atitudes misóginas não é suficiente; também precisamos nos opor e combater a forma como a sociedade marginalizou as mulheres. Para que isso aconteça, as escolas precisam ter um currículo que inclua mulheres cientistas, líderes e pensadoras que foram apagadas dos livros de história. Além de capacitar os educadores, fornecendo-lhes os recursos/ferramentas necessários para reconhecer e lidar com comentários sexistas na escola, assim como a transformar conflitos no pátio da escola em oportunidades para ensinar os alunos sobre seus direitos civis.
Meninos que percebem que sentimentos não são sinônimo de fraqueza tornam-se mais sensíveis e meninas que veem suas habilidades reconhecidas demonstram mais autoconfiança. Quando as escolas possuem um código de conduta com procedimentos claramente estabelecidos para lidar com casos de assédio ou violência de gênero, as crianças se sentem mais seguras e aprendem a confiar em sua educação. Crianças que crescem em uma sociedade que valoriza as meninas desenvolvem uma atitude empática que ajuda a interromper o ciclo de violência contra a mulher.
Para muito além de apenas comemorarmos o Dia Internacional da Mulher, precisamos assumir posturas educativas no sentido de construirmos relações respeitosas e democráticas que edificarão uma sociedade sem misoginia e sem violência contra a mulher.
Júlio Furtado é Orientador Educacional e Escritor

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