Carlo CaiadoDivulgação
Carlo Caiado: A política sai do gabinete e encontra a cidade
Um dos maiores desafios da política atual é reduzir a distância entre as instituições e a população. Em uma sociedade cada vez mais complexa, tentar governar e legislar sem ouvir as pessoas é abrir espaço para decisões desconectadas da realidade.
No Rio, temos a convicção de que essa aproximação precisa ser permanente. A Câmara Municipal tem a missão de votar leis, fiscalizar o Executivo e debater os grandes temas da cidade, mas também de criar canais para que os cariocas participem dessas discussões.
Foi com esse entendimento que, ao longo do primeiro semestre, o Legislativo ampliou sua presença nos territórios e abriu mais espaços de diálogo. Audiências públicas em bairros como Pedra de Guaratiba, Bangu, Campo Grande e Maré permitiram que moradores, especialistas e representantes da sociedade civil contribuíssem para debates sobre educação, desenvolvimento urbano e segurança alimentar.
Um dos exemplos mais emblemáticos desse processo foi o projeto Praça Onze Maravilha, que prevê a requalificação do entorno do Sambódromo e de bairros vizinhos. Antes da aprovação da proposta, foram realizadas audiências públicas - uma delas externa, na própria região -, reuniões técnicas e um seminário aberto. Desse processo surgiram 180 emendas, das quais cerca de 60 foram incorporadas ao texto final. É a prova de que ouvir a sociedade torna os projetos melhores.
A participação popular também ajuda a identificar prioridades e apontar soluções para problemas que afetam o dia a dia da população, como a mobilidade. A aprovação das medidas que permitem ampliar as fontes de financiamento para a modernização do BRT é um passo importante para melhorar um sistema de transporte utilizado diariamente por milhares de cariocas.
Ao mesmo tempo, a boa gestão dos recursos públicos precisa se traduzir em benefícios concretos. A destinação de R$ 50 milhões devolvidos pela Câmara para a implantação do Super Centro Carioca de Saúde da Zona Oeste mostra como uma administração responsável pode fortalecer serviços essenciais e ampliar o acesso à saúde.
Esse compromisso também passa pelo funcionamento das instituições. A limitação da ocupação de cargos em comissão por pessoas sem vínculo efetivo com a Prefeitura reforça a valorização dos servidores de carreira. Da mesma forma, a adoção de energia proveniente de fontes renováveis no Edifício Serrador representa uma visão de gestão mais consciente, que alia sustentabilidade, redução de custos e responsabilidade com o dinheiro público.
Essa abertura ao diálogo se refletiu na atividade legislativa da Casa. No primeiro semestre, aprovamos 251 leis, o que colocou a Câmara do Rio como a mais produtiva do país no período. Aliás, o nosso Parlamento foi líder em produtividade nos últimos cinco anos, entre as principais capitais.
Uma democracia forte não se constrói apenas dentro dos plenários. Ela depende da participação das pessoas, da circulação de ideias e da capacidade das instituições de ouvir, aprender e se adaptar às necessidades da sociedade.
Carlo Caiado é presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro



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