Segundo o relato, Jefferson passou parte da tarde em um quiosque na Barra da Tijuca, onde ingeriu bebida alcoólica. Depois, assumiu a direção de seu carro, um BYD branco, e seguia para casa, na Baixada Fluminense. Cíntia afirmou que chegou a falar com Jefferson, que teria mencionado uma suposta 'briga`, mas que ela não conseguiu compreender o que o marido estava dizendo.
Ela também informou que Jefferson compartilhou seu trajeto com ela, e que acompanhou o deslocamento do veículo à distância. Quando soube do ocorrido, ela se deslocou até o local onde a vítima foi morta. ocorrência.
Policiais relatam passagem por três bloqueios
Os policiais envolvidos na abordagem fatal também prestaram depoimento. De acordo com os agentes do 22º BPM (Maré) Jefferson não obedeceu à determinação para desligar o motor e sair do automóvel. Os militares relataram que ouviram disparos durante a ação e que um policial atirou contra a roda traseira do veículo. Segundo os registros da investigação, o carro teria passado por três pontos de bloqueio montados pelos agentes, que teriam ouvidos tiros.
A perseguiçao terminou nas proximidades da Passarela 14, onde o veículo foi interceptado e colidiu com uma mureta. Conforme os depoimentos, Jefferson teria tentado realizar uma manobra de ré, momento em que policiais efetuaram novos disparos contra os pneus do automóvel.
Um integrante do Batalhão Tático de Motociclistas (BTM), que participava do apoio à ocorrência, declarou ter disparado sete vezes com um fuzil calibre 7,62 mm. O militar justificou a ação alegando que identificou uma situação de perigo iminente.
Após a imobilização do carro, Jefferson foi encontrado baleado. Imagens feitas por motoristas que passavam pela Avenida Brasil mostram policiais atirando na direção do veículo durante a ocorrência. A Polícia Civil informou que ainda não foi possível identificar de quais armas partiram os disparos responsáveis pela morte do secretário.
Cinco policiais são afastados e armas passam por perícia
O governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, determinou nesta terça-feira (20) o afastamento dos cinco policiais militares envolvidos na abordagem. As armas utilizadas na ocorrência foram apreendidas e encaminhadas para exames periciais. A investigação também inclui a análise das imagens registradas pelas câmeras corporais dos agentes.
Além do inquérito conduzido pela Delegacia de Homicídios da Capital, a Corregedoria Geral da Polícia Militar apura administrativamente a conduta dos envolvidos.
Em nota, o Governo do Estado lamentou a morte de Jefferson e afirmou que o episódio exige uma investigação rigorosa, rápida e transparente. A administração estadual informou que acompanhará as apurações para esclarecer as circunstâncias da ação e identificar possíveis responsabilidades.
Prefeitura de Queimados decreta luto de três dias
A morte de Jefferson da Linave levou o prefeito de Queimados, Glauco Kaizer, a decretar luto oficial de três dias no município, entre 20 e 22 de outubro. O secretário, que tinha 51 anos, exerceu três mandatos como vereador antes de assumir a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico. Em comunicado, a Prefeitura lamentou a perda e informou que está prestando assistência à família do ex-parlamentar.
O prefeito também publicou uma mensagem de solidariedade à esposa, à filha e aos amigos de Jefferson. Até o momento, não foram divulgadas informações oficiais sobre o velório e o sepultamento. A administração municipal destacou a trajetória política do ex-vereador e sua atuação na vida pública de Queimados.
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