Materiais apreendidos em uma das centrais fechada pela políciaReprodução
“Esses golpes têm sido uma prática muito comum no estado do Rio, tendo como vítimas, principalmente pessoas idosas com baixo grau de instrução, pensionistas e aposentados, pessoas vulneráveis e que dependem de valores para sobreviver e, muitas das vezes, sustentar suas famílias que deles dependem. A Polícia Civil vem atuando firmemente no combate a essa modalidade de crime e diversas centrais clandestinas vêm sendo estouradas”, disse o delegado.
De acordo com as investigações, geralmente os criminosos se disfarçam de operadores de telemarketing, entram em contato com as vítimas informando que um crédito consignado foi contratado por elas e está disponível para saque. Quando a pessoa diz não ter solicitado o empréstimo, ela recebe orientações do falso atendente para cancelar o pedido. Inclusive, algumas das vítimas após conversas enviavam os seus documentos pessoais pelo WhatsApp.
Alguns deles ainda possuem agendas com os dados e primeiras impressões do primeiro contato com as vítimas, como foi o caso de oito criminosos presos na semana passada em Niterói em uma central clandestina.
Como evitar golpes
1 - Se você não solicitou a proposta de empréstimo, questione por que a atendente o procurou e como obteve seus dados pessoais.
2- No golpe do empréstimo falso, os criminosos aplicam valores abaixo do mercado. Nesse caso, desconfie. Se a negociação for muito vantajosa ou com taxas de juros pouco praticadas no mercado, acione o alerta vermelho e não avance.
3- Consultar mais informações sobre a empresa antes de solicitar o dinheiro. Caso confirme que realmente a pessoa representa uma empresa constituída com CNPJ, endereço e atendimento ao público, pesquise em sites, como o Reclame Aqui e do Procon, como é a percepção dos consumidores sobre a prestação de serviço.
4- Dê preferência a empresas já consolidadas no mercado.
5- Não realize qualquer depósito ou transferência, como condição para receber qualquer valor. Nenhuma instituição confiável solicita antecipação para liberar o dinheiro.
6- Não aceite pagar as parcelas do empréstimo em contas de pessoas físicas.
7- Não compartilhe os seus dados pessoais.
8- Denuncie imediatamente ao perceber que foi vitima de um golpe.
Call center fechada
Na semana passada, policiais civis da 19ª DP (Tijuca) fecharam uma central de golpe do empréstimo consignado localizada em Niterói e oito pessoas, cinco homens e três mulheres foram presas. A ação ocorreu com base nas informações obtidas pelo setor de inteligência da unidade.
A equipe, ao chegar no endereço, encontrou duas salas com os oito indiciados, sentados à mesa, de frente a diversos computadores, com fones de ouvido e programas de computador em funcionamento, captando diversos documentos e imagens de vítimas, com a realização de contratos, empréstimos ou transferências bancárias, com o fim de obtenção de indevida vantagem econômica, em prejuízo alheio.
Na ação, foram apreendidos uma agenda com a primeira impressão da chamada inicial realizada às vítimas, vários documentos com relações de nomes, CPFs e dados privados, a maioria de pessoas de outros estados.
Além disso, foram encontrados diversos computadores, dos quais estavam programadas ligações automáticas, além de outro programa com diversas informações das pessoas que foram lesadas e de possíveis futuras vítimas.
Nos computadores haviam ainda dois aplicativos expostos, o Callix (uma plataforma SaaS -Software as a Service- de sistema de call center na nuvem) e o Corban (sigla para correspondente bancário. Em resumo, trata-se de uma pessoa jurídica – que pode ser uma empresa, ou um indivíduo – cuja atuação é intermediar a relação entre determinado banco e seus clientes.), onde constavam as informações das possíveis vítimas com valores e informações financeiras delas.
Outros 16 presos
Nesta quinta-feira (30), policiais da 30ª DP (Marechal Hermes) prenderam em flagrante, 16 pessoas que aplicavam golpes em aposentados e pensionistas. Os agentes localizaram, em Bonsucesso, na Zona Norte, um escritório que funcionava como central de uma organização criminosa que contratava empréstimos consignados e se apropriava do dinheiro.
Ao chegar ao local, a equipe encontrou os suspeitos trabalhando nos golpes, captando diversos documentos e imagens de vítimas. O lugar funcionava como um call center e os criminosos agiam da mesma forma.
Na sala, também foi encontrado um quadro, com a data de 29 de março, em que os integrantes da organização criminosa comemoravam a arrecadação de mais de R$ 300 mil, lesando clientes de diversos estados do país.



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