Marmitas ajudam a manter a alimentação saudável no dia a dia Reprodução / Freepik
Conforme a pesquisa, o principal público que aderiu são mulheres e jovens de 19 a 30 anos. Para a nutricionista Daniela Canella, professora do Instituto de Nutrição da Universidade do Estado do Rio (Uerj), esse crescimento está ligado principalmente ao gosto pessoal. "A prática de levar marmita pode estar relacionada à escolha por consumir determinados alimentos, geralmente mais saudáveis, os quais podem não estar disponíveis no local de trabalho, já que o preparo em casa permite o controle dos ingredientes utilizados e de suas quantidades, por exemplo", afirma.
A profissional dá dicas de combinações ideais. "A comida ideal são as preparações baseadas em alimentos in natura ou minimamente processados, mas bem acondicionados e preservados para serem consumidos. Arroz, feijão, carne ou ovo (caso a pessoa consuma produtos de origem animal), hortaliças cozidas e, separadamente, uma salada crua. Se tiver fruta para sobremesa, melhor ainda!", acrescenta.
A jornalista Irene Santos, mesmo recebendo o suporte da sua empresa para alimentação diária, não abre mão de preparar e congelar a comida de duas a três vezes por semana. Ela já consegue perceber uma folga no bolso no fim do mês. "Com economia, consigo até ir a um restaurante melhor em um dia da semana com os amigos, no horário de trabalho, optando por estabelecimentos mais caros. Além disso, consigo comer melhor quando levo as marmitas e utilizar o dinheiro que sobra para o supermercado", destaca.
Dono de um restaurante em Botafogo, na Zona Sul, Frederico Szmukler percebeu bem essa redução no seu estabelecimento em 2024, principalmente no horário comercial. Segundo o empresário, a melhor opção para contornar essa queda foi criar estratégias para atrair esse público. "Reformulamos nosso menu executivo, trazendo de volta opções clássicas e mantendo preços baixos, com pratos a partir de R$ 29,90. Investimos em parcerias estratégicas com empresas e fechamos convênios que garantem 10% de desconto para os colaboradores". Segundo ele, a combinação de ações tem dado ótimos resultados no aumento do público.
Especialistas ouvidos pela reportagem foram unânimes em relação a destacar ao crescimento da inflação dos alimentos como mudança comportamental. Para André Braz, economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), de 2020 até agora, os alimentos subiram 55%, enquanto a inflação gira em torno de 30%. Ou seja, os alimentos subiram quase o dobro da inflação. Fazer uma refeição fora de casa se tornou ainda mais difícil, levando em consideração que, no restaurante, os empresários ainda precisam calcular o preço dos impostos.
Além disso, o aumento nos custos de produção, os choques externos, como o aumento nos preços dos fertilizantes e do petróleo, e a instabilidade econômica também elevaram os preços. A desvalorização da moeda contribuiu ainda mais para o aumento dos alimentos.

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