Família brasileira que mora em Berlim denunciou citação xenofóbica contra brasileiros em livro alemão Reprodução/Redes sociais
O trecho original dizia: "Olá, meu nome é Marco. Eu não vou à escola. Eu moro no Rio de Janeiro/brasileiro. De manhã, procuro restos de comida nas latas de lixo. Quero me tornar um jogador de futebol profissional."
A denúncia ganhou repercussão principalmente nas redes sociais, após uma família brasileira residente em Berlim compartilhar o caso em um grupo de mensagens com outras mães brasileiras no país. Diante da enxurrada de críticas e pedidos de retratação, a editora Mildenberger Verlag atualizou o texto na quinta-feira (13).
Além disso, outros diálogos também foram modificados. Na nova edição, a menina alemã toca violão e quer ser educadora, a criança japonesa sonha em ser advogada e o menino do Quênia, que antes ajudava o pai no trabalho depois da escola, agora participa das refeições em família.
Em comunicado, a editora reconheceu a responsabilidade pela publicação e afirmou que recebeu as reclamações sobre o livro. Segundo a empresa, a intenção não era reforçar estereótipos.
Embaixada se pronuncia
"A Embaixada lamenta a abordagem insensível e pouco informada da editora Mildenberger no livro em questão. Para além da dificuldade em entender como um texto dessa natureza possa ter a pretensão de ser didático, preocupa o impacto da exposição de crianças a estereótipos e preconceitos sobre outros países", declarou a instituição por meio de nota.
Nota da embaixada:
A existência de elevada taxa de inequidade é um problema reconhecidamente grave no Brasil, que vem sendo enfrentado por sucessivos governos brasileiros ao longo das últimas décadas e ao qual o Presidente Lula atribui particular relevância desde seu primeiro governo.
Os esforços empreendidos para garantir que crianças tenham acesso adequado à educação e saúde são reconhecidos como referência para outros países em desenvolvimento pelo Banco Mundial, pela OIT e pela FAO. A implementação de grande número de políticas públicas de longo prazo (como os programas "Bolsa Família", "Criança Alfabetizada", "Escola em Tempo Integral" e "Proinfância") tem permitido significativos avanços no acesso à educação de qualidade, na luta contra a pobreza e o combate à fome. O programa de merenda escolar, que garante a adequada alimentação de alunos brasileiros, também é exemplar e tem sido mencionado como referência pelas competentes autoridades do governo alemão.
O programa "Bolsa Família", criado em 2003 se tem ampliado de forma sucessiva ao longo dos anos e condiciona o recebimento de recursos à realização de exames pré-natal por gestantes, o cumprimento de calendário de vacinas estabelecido pelo governo federal e acompanhamento do estado nutricional para crianças menores de sete anos, além de frequência escolar mínima para crianças e adolescentes de 4 a 18 anos.
No Brasil, a taxa de escolarização de crianças entre 6 e 14 anos chega a 99,4% (PNAD, 2023). A Embaixada do Brasil em Berlim lamenta a abordagem insensível e pouco informada da editora Mildenberger no livro em questão. Para além da dificuldade em entender como texto dessa natureza possa ter a pretensão de ser didático, preocupa, o impacto em crianças de sua exposição a estereótipos e preconceitos sobre outros países.
Ao associar-se às inúmeras mensagens de repúdio da comunidade brasileira na Alemanha à publicação, a embaixada esclarece que está buscando contatos com a editora e com autoridades alemãs para a adoção de providências a respeito do texto em questão".



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