Após ataque, 60ª DP (Campos Elíseos), em Duque de Caxias, ficou interditadaArquivo / Reginaldo Pimenta / Agência O Dia

Rio - Quatro suspeitos de envolvimento no ataque à 60ª DP (Campos Elíseos) morreram em um confronto com policiais civis na madrugada deste sábado (22), na comunidade Vai Quem Quer, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Um fuzil, três pistolas, drogas e rádios comunicadores foram apreendidos na ação. Ao todo, já são cinco mortos e 35 presos que teriam ligação com o crime. 
O caso completou uma semana neste sábado. Segundo o apurado, criminosos foram à delegacia, também localizada em Duque de Caxias, para resgatar Rodolfo Manhães Viana, conhecido como Rato e considerado chefe do tráfico da Vai Quem Quer, e Wesley de Souza do Espírito Santo, o 'Cabelinho', o braço direito dele. Contudo, ambos já haviam sido transferidos da distrital para a sede da Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC-Polinter), na Cidade da Polícia, no Jacarezinho, na Zona Norte.
Na ocasião, houve troca de tiros e dois policiais ficaram feridos. Os agentes foram socorridos e levados para o Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes (HMAPN), também em Caxias. Eles receberam alta no mesmo dia. 
A investigação identificou que o mandante da tentativa de resgate é Joab da Conceição Silva, 32 anos, apontado como chefe do tráfico da comunidade Rua Sete, também em Duque de Caxias. O criminoso é ligado ao Comando Vermelho (CV) e possui envolvimento em guerras entre facções por territórios da Baixada.
Segundo a Polícia Civil, a quadrilha liderada pelo traficante é considerada uma das mais armadas nas comunidades ao redor de áreas como Campos Elíseos, Jardim Primavera e Saracuruna.

Na ficha criminal dele, constam 55 passagens pela polícia, por crimes como tráfico, associação para o tráfico, porte ilegal de arma, extorsão, roubo de carga e receptação. Contra o traficante, constam dois mandados de prisão, sendo um pela Vara de Execuções Penais (VEP), com pedido de recaptura, onde fora condenado a uma pena de 16 anos, por tráfico de drogas, e outro pela 4ª Vara Criminal de Duque de Caxias, em inquérito da 60ª DP, pelo crime de homicídio.
Qualquer informação sobre o paradeiro de Joab e de outros envolvidos pode ser enviada, de forma anônima, ao Disque Denúncia através da central de atendimento/call center (021) - 2253 1177 ou 0300-253-1177; do WhatsApp (021) – 2253-1177; e do aplicativo Disque Denúncia RJ.
Outras ações
Nesta sexta-feira (21), um suspeito, apontado como gerente do tráfico de drogas da comunidade da Mangueirinha, foi preso por policiais civis e militares. Com o criminoso, foram apreendidos dois fuzis, munições e carregadores.
Na última terça-feira (18), outro integrante da facção também foi detido na posse de um fuzil usado no ataque. Segundo informações, a arma seria de Joab da Conceição, o mandante do ataque.
Na segunda-feira (17), um imóvel de luxo pertencente a Joab foi demolido, no Jardim Primavera, ainda em Caxias. A casa, com piscina e churrasqueira, estava em construção, mas já era usada pelo traficante e seus comparsas. Entre os detidos deste dia estão um casal que atuava como "laranjas" para o criminoso. Agentes também estouraram um depósito de bebidas suspeito de envolvimento no esquema de lavagem de dinheiro dele, que ajudava a financiar as atividades da facção e a vida de luxo dos integrantes e de seus familiares.
No último domingo (16), um suspeito morreu e outros cinco foram presos durante uma operação na Vai Quem Quer. Policiais apreenderam uma granada e drogas.
Ao todo, são cinco mortes e 35 prisões, além de quatro fuzis apreendidos. De acordo com as investigações, todos os detidos e mortos participaram, direta e indiretamente, da investida.

"Terroristas atacaram uma delegacia e afrontaram o Estado. Isso não pode ficar por isso mesmo. A nossa polícia vai atrás de cada um que participou deste ataque e vai seguir firme no combate às máfias criminosas que atuam no Rio de Janeiro. O crime não tem vez no nosso estado", disse o governador Cláudio Castro (PL).
Atuam na Força-Tarefa para prender envolvidos: as delegacias especializadas e distritais da Polícia Civil, com o apoio das Subsecretarias de Planejamento e Integração Operacional e de Inteligência, e a Polícia Militar.

"Estamos fazendo um trabalho robusto de inteligência e investigação que envolve todos os departamentos da instituição. Os criminosos que participaram dessa investida e todos os que deram cobertura a eles serão responsabilizados com o rigor da lei", afirmou o secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi.