Publicado 12/02/2025 13:31
Rio - A Defesa Civil Municipal interditou totalmente a fábrica de tecidos que pegou fogo, na manhã desta quarta-feira (12), em Ramos, na Zona Norte. O incêndio deixou 21 pessoas feridas e nove estão internadas em estado grave. O prédio da Maximus Confecções não tinha autorização do Corpo de Bombeiros para funcionar.
PublicidadeA decisão por interditar a fábrica foi divulgada pelo prefeito do Rio, em uma publicação nas redes sociais. No texto, Eduardo Paes diz que a interdição também ocorre no prédio anexo, após equipes da Defesa Civil verificarem que o fogo causou dano à estrutura do edifício e que há risco de desabamento da estrutura interna.
Ainda na publicação, Paes afirmou que diversos órgãos municipais atuam em conjunto no atendimento às vítimas, familiares e moradores do entorno. A Secretaria Municipal de Assistência Social também está com equipes no local prestando apoio psicológico aos trabalhadores da fábrica, seus familiares e moradores da região.
Segundo o subcomandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Luciano Sarmento, a edificação não tem certificado de aprovação da corporação e, por consequência, não tinha condições de segurança necessárias para funcionamento. Além disso, de acordo com a Receita Federal, a empresa estava inapta e não poderia estar funcionando, desde 2023, quando não apresentou as documentações necessárias.
Incêndio deixa 21 feridos
Ao todo, 21 pessoas precisaram ser resgatadas da fábrica durante o incêndio. A retirada dos trabalhadores foi dramática, com alguns saindo do alto do imóvel pelas janelas, com ajuda dos bombeiros e de uma escada, em meio à fumaça. Todas as vítimas precisaram ser levadas para cinco hospitais das redes estadual, municipal e federal.
No Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, dez pessoas deram entrada. Dentre elas, três homens e cinco mulheres em estado grave, além de duas vítimas do sexo feminino estáveis. Todos os pacientes sofreram queimadura em via aérea, após inalação de fumaça tóxica.
Outras quatro pessoas foram levadas para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, e uma delas está em estado grave. Outras duas vítimas deram entrada no Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, e mais duas na Coordenação de Emergência Regional (CER) da Ilha do Governador.
Já o Hospital Federal de Bonsucesso recebeu duas mulheres e um homem, que estão sendo atendidos por inalação de fumaça. Eles receberam oxigênio e serão submetidos a exames laboratoriais e de imagem. O quadro dos feridos é estável.
Escolas de samba afetadas
A Maximus Confecções, na Rua Roberto Silva, é responsável pelas fantasias de escolas de samba da Série Ouro, e quatro delas foram afetadas: Império Serrano, Unidos da Ponte, Unidos de Bangu e Porto da Pedra. As duas primeiras informaram que toda a produção para o carnaval 2025 estava no local. Já a última comunicou que as roupas de duas alas estavam sendo produzidas no edifício.
A Liga RJ, que organiza o Carnaval da Série Ouro, convocará uma reunião extraordinária para avaliar a situação das escolas prejudicadas pelo incêndio. Segundo a entidade, o objetivo da Assembleia Geral será buscar soluções que possibilitem a continuidade dos trabalhos e a realização do desfile "com a grandiosidade que o povo merece".
Ainda de acordo com a Liga, a fábrica "desempenha um papel fundamental no fornecimento de materiais para as escolas de samba e, além disso, serve como espaço para a confecção de fantasias de diversas agremiações". A organização disse que o incêndio "atinge diretamente o planejamento do Carnaval e toda a cadeia produtiva envolvida na sua realização".
Em outra publicação, o prefeito do Rio anunciou que as escolas de samba afetadas pelo incêndio não serão rebaixadas no Carnaval deste ano. "Independente de qualquer coisa, as escolas não serão rebaixadas no carnaval desse ano. Havendo possibilidade de desfilar, as três serão consideradas hors con·cours", escreveu Paes, que está em Brasília, mas afirmou que o vice, Eduardo Cavaliere, acompanha o caso.
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