Bolsonaro cumprimenta o público presente na praia de CopacabanaPedro Teixeira/ Agência O Dia

Rio - Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) participaram de um ato na praia de Copacabana, Zona Sul do Rio, na manhã deste domingo (16), para defender a anistia dos envolvidos nos ataques do 8 de janeiro de 2023
Ao som da música "Baile de favela", o ex-chefe do Executivo foi anunciado pelo pastor Silas Malafaia enquanto cumprimentava o público.
A manifestação interditou o trecho da Avenida Atlântica entre as ruas Barão de Ipanema e Xavier da Silveira. Os eleitores do ex-presidente vestiam, em sua maioria, camisas amarelas e exibam cartazes pedindo anistia.
No palco, um cartaz mostrou uma imagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o punho levantado, após o ataque que sofreu em julho durante a campanha eleitoral na Pensilvânia.
O evento foi organizado pelo pastor evangélico Silas Malafaia e contou com a participação de políticos como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e os governadores do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Outras personalidades, como o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), os filhos de Bolsonaro, deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o presidente do nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também estiveram presentes.
O lema do evento é pedir uma "anistia" para as pessoas condenadas por envolvimento nos atos golpistas do 8 de janeiro de 2023 em Brasília. Na data, milhares de bolsonaristas invadiram e vandalizaram o Palácio do Planalto, o Congresso e a sede do Supremo Tribunal Federal (STF), uma semana após a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os ataques de 8 de janeiro são uma das razões que levaram a Procuradoria-Geral da República (PGR) a acusar o ex-presidente em fevereiro por um suposto plano de golpe de Estado para tentar permanecer no poder. 
O STF já condenou 481 pessoas pelos atos.  Dessas, 255 tiveram suas ações classificadas como graves. Oito dos investigados foram absolvidos.

Bolsonaro é acusado de ser o líder de uma "organização criminosa" que conspirou durante meses com este propósito e pode enfrentar uma pena acumulada superior a 40 anos de prisão.
Eleições em 2026
Durante discurso no ato, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, disse acreditar que o ex-chefe do Executivo será candidato à Presidência em 2026.
O ex-presidente foi declarado inelegível até 2030 por questionar a confiabilidade do sistema brasileiro de urnas eletrônicas, mas espera que a condenação seja anulada ou que a pena seja reduzida, para se candidatar a um segundo mandato presidencial.
"Vocês fizeram do PL o maior partido do Brasil. (...) Tenho fé que Bolsonaro será candidato a presidente da República", disse Valdemar Costa Neto ao lado de Jair Bolsonaro em cima do trio elétrico, na praia de Copacabana.
O político ainda puxou o coro com a frase "volta Bolsonaro" e acrescentou que o Brasil vive um "momento histórico no país", que os manifestantes do Rio "são o povo mais forte" que ele conheceu na vida.
Foi a primeira vez que Valdemar participou de um evento público ao lado de Bolsonaro desde que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou as restrições de encontro entre os dois.
O governador do Estado do Rio de Janeiro, Claudio Castro, também apontou que o líder da direita será candidato e ressaltou a participação do Rio no número de votos de Bolsonaro.
"Nós vivemos em um país que são 26 estados e o Distrito Federal. O Rio de Janeiro te deu quase 6.0% dos votos válidos nas últimas eleições", afirmou.
Castro puxou, ainda, o coro com a frase "eu não errei" e disse: "Esse povo do Rio de Janeiro, Bolsonaro, não errou. O único candidato para 2026 será Jair Messias Bolsonaro".
"O Brasil precisa de um projeto político para as pessoas. O Brasil não precisa de um projeto político para pequenos grupos de pessoas", concluiu.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou o fato de Bolsonaro ter se tornado inelegível pela Justiça.
"Qual a razão de afastar Jair Messias Bolsonaro das urnas? É medo de perder a eleição, porque eles sabem que vão perder", declarou.
"A gente sabe que nós vamos vencer. Nós vamos liberar essas pessoas. Nós vamos libertar o Brasil da esquerda, dessa esquerda que tanto maltrata o país", afirmou.
Tarcísio disse que o governo tem medo de perder a eleição para Bolsonaro, por isso há interesse em mantê-lo afastado das urnas. Ele defendeu que a oposição vai pautar e aprovar o projeto para anistiar os condenados pelos atos de 8 de janeiro.

"Os caras que assaltaram o Brasil, os caras que assaltaram a Petrobras, voltaram para a cena do crime, voltaram para a política, foram reabilitados. Tá certo isso? Parece haver justiça nisso? Então é correto que a gente garanta a anistia daqueles inocentes que nada fizeram. E nós vamos lutar. Nós vamos garantir isso. Nós vamos garantir que esse projeto seja pautado, seja aprovado. E quero ver quem vai ter coragem de votar contra. E podem ter certeza que nós vamos conseguir os votos", afirmou.
Críticas a Moraes
O ex-presidente atacou o ministro do STF Alexandre de Moraes que, segundo ele, teve uma "mão pesada" contra o PL nas eleições de 2022.

"Houve sim uma mão pesada do Alexandre de Moraes por ocasião das eleições de 2022. Por exemplo, eu não podia mostrar imagem do Lula defendendo o aborto, eu não podia mostrar imagem do Lula defendendo celular e dizendo que isso era para tomar uma cervejinha, eu não podia mostrar imagens do Lula com ditadores do mundo todo", disse.

Bolsonaro também voltou a questionar se realmente perdeu o pleito na quantidade de votos e citou o inquérito sigiloso do Supremo. A investigação motivou a sua inelegibilidade até 2030, quando ela foi apresentada a embaixadores em uma reunião no Alvorada.

"O nosso governo fez o seu trabalho. Por que perdeu a eleição? Por que perdeu a eleição? Será que a resposta está no inquérito 1.361, secreto até hoje?", indagou o capitão reformado.
Durante o discurso, o ex-presidente afirmou que não tem "obsessão pelo poder, mas, sim, amor pelo Brasil". Ele também disse que "não vai sair do Brasil" e que será um problema "preso ou morto".
"Não vou sair do Brasil. A minha vida estaria muito mais tranquila se eu tivesse do lado deles. Mas escolhi o lado do meu povo brasileiro. Tenho paixão pelo Brasil", disse. (...) "Eu vou ser um problema para eles, preso ou morto. Mas eu deixo acesa a chama da esperança, da libertação do nosso povo", afirmou", acrescentou.
O pastor evangélico Silas Malafaia, um dos organizadores do ato do ex-presidente, chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) de "ditador". Segundo Malafaia, que é aliado de primeira hora de Bolsonaro, o Brasil vive uma "perseguição política" nunca vista.

"Ele é um ditador, que está extrapolando todas as leis do nosso País. É uma verdadeira perseguição política como a gente nunca viu na história do nosso País", disse.

Esse não é o primeiro ataque do líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo direcionado a Moraes nesta semana. Na quarta-feira, 12, Malafaia disse que ao orar, não pede "para matar" o ministro, mas entrega o magistrado "nas mãos de Deus".
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que o ato convocado pelo pai busca derrotar o "alexandrismo". Em referência ao ministro do STF, Alexandre de Moraes, o político afirmou que o magistrado não respeita as normas jurídicas como o direito à ampla defesa e contraditório.
Segundo Flávio, mencionando os presos do 8 de Janeiro, Moraes tem pressa para concretizar uma "certa vingança". 

"Rasgando a nossa Constituição sem processo legal, sem ampla defesa, sem contraditório. É uma pressa para que se concretize uma certa vingança. Isso não tem espaço na nossa democracia, esse 'alexandrismo' tem que acabar", afirmou.
Anistia
O projeto de anistia contém brechas que podem beneficiar Bolsonaro. A lei torna imune de punição os financiadores da invasão aos prédios dos Três Poderes e os agitadores que insuflaram a multidão golpista por meio das redes sociais. Aliados de Bolsonaro e o próprio ex-presidente são investigados pelo STF por apoiarem as manifestações que terminaram em vandalismo e destruição do patrimônio público.
Segundo Bolsonaro, a oposição ao governo do presidente Lula já tem votos suficientes para aprovar o projeto. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), prevê que a Casa vai discutir o projeto ainda neste mês.

"Já temos votos suficientes para aprovar na Câmara. Nós seremos vitoriosos. Nós veremos na Justiça. Se não é para aquele outro Poder que existe para isso, pelo Poder Legislativo. Até se o Lula vetar, nós derrubaremos o veto", declarou Bolsonaro.

O ex-mandatário citou ainda uma conversa que teve com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, que, segundo o ex-presidente, firmou apoio das bancadas do partido no Congresso para a anistia. A sigla integra a base do governo Lula e comanda três ministérios na Esplanada.

"Eu inclusive, há poucos dias, tinha um velho problema e resolvi com o Kassab em São Paulo. Ele está ao nosso lado, com a sua bancada, para aprovar a anistia em Brasília", afirmou.
O senador Flávio Bolsonaro também disse que acredita que a oposição ao governo já tem votos suficientes para pautar o projeto. 
"Eu acredito que nós já temos votos suficientes, na Câmara e no Senado, para aprovar esse projeto de anistia. Só que hoje é muito importante a presença de todos aqui para manifestar a discordância do caminho que o País está tomando, em especial com a decisão que poucos estão tomando em Brasília", ressaltou.
O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que pedirá urgência na tramitação da proposta que perdoa os crimes pelos quais respondem no STF. "Estou assumindo compromisso com vocês. Nesta semana, na reunião do colégio de líderes, vamos dar entrada com 92 deputados do PL e de outros partidos, para podermos pedir urgência do projeto da anistia para entrar na pauta na semana que vem", afirmou.
A bancada do PL é composta, segundo informação do Poder Legislativo, por 92 deputados. Os bolsonaristas presos foram condenados por abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração do patrimônio tombado e associação criminosa armada.
Segundo a Policia Militar, mais de 400 mil pessoas acompanharam o ato, que aconteceu na altura do posto 4 da Praia.
"Não houve qualquer registro de ocorrência durante o ato, que transcorreu de maneira pacífica durante toda esta manhã", disse a PM em nota.

*Com informações do Estadão Conteúdo