Rio - Viajar é sempre bom, não é mesmo? Mas quando você consegue aliar a uma conexão, inclusive, emocional, fica ainda melhor. É isso que a travel designer Wania Camelo oferece com um time de consultoras que se responsabilizam por montar um roteiro personalizado para mulheres que querem viajar sozinha e têm medo, preconceito e preocupação. Trata-se de uma agência de viagens especializada que acompanha a viajante, de forma remota, durante todo tempo em que ela está em outro lugar.
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O desejo crescente por experiências solo não é apenas uma percepção do setor de turismo, mas um movimento comprovado por pesquisas. Um levantamento do Instituto Think Olga, em parceria com o movimento Sonhe Como Uma Garota, apontou que viajar pelo mundo é o principal sonho das mulheres brasileiras, independentemente da idade ou classe social. Entre as entrevistadas, 67% das jovens entre 18 e 29 anos, 59% das mulheres de 30 a 49 anos e 59% do público 50+ afirmaram que conhecer novos destinos é um dos seus maiores desejos.
A travel designer Wania Camelo realiza o sonho das pessoas e conta que as mulheres que a procuram querem um destino fora do comum. "Nossa expertise são destinos exóticos e inóspitos e a maioria das clientes não quer um pacote pronto. A gente não tem esse modelo de negócio. O nosso modelo é tailor-made, feito sob medida. E geralmente o nosso público são mulheres em torno de 40 a 55 anos que fazem esse tipo de viagem".
Preocupação com o bem-estar e a mente
Wania também tem preocupação com a saúde mental dos clientes. "Temos a chancela da empresa de psicologia Patrícia Pancoti, que auxilia clientes com algum diagnóstico de transtorno emocional ou em tratamento com medicação. Geralmente, algumas mulheres já chegam com as suas terapeutas. Mas a gente também dá o suporte durante a viagem caso queira", pontua.
Ela comenta ainda sobre o fuso horário. "Às vezes a terapeuta não está ali 24 horas à disposição quando a viajante está na Tailândia. Vamos supor que o fuso é totalmente ao contrário. Se essa cliente quiser contratar esse serviço de ter ali um apoio emocional, caso precise, a gente tem esse serviço aqui. Não são todas que usam, mas elas gostam de saber. É um serviço muito premium, se a gente pode falar assim, porque você tem uma terapeuta ali à sua disposição", explica a profissional que tem muito zelo na hora de fazer o roteiro.
"Temos muito cuidado na hora de fazer o roteiro. Se uma cliente assinalar que teve Síndrome do Pânico e quer ir para um país muito distane nós montamos um aéreo com várias paradas a fim de que ela não fique muito tempo em lugar fechado e possa ter um gatilho. A gente fala que temos um portfólio pautado para as emoções. Então, uma mulher que veio de um recém-burnout, eu não vou mandar para Nova York, onde tem aquela loucura porque a intenção é reduzir o estresse".
A profissional relembra outro caso. "Uma cliente viúva estava em depressão, o médico deu alta e incentivou a fazer uma viagem para espairecer. Ela escolheu a Suíça, porque além da curiosidade, queria visitar uma amiga. "A gente montou o roteiro e no final da viagem ela visitou a amiga. Para saber o que o cliente quer é feito um bate-papo inicial, quase uma anamnese".
Turismo de alto padrão e muitas experiências na bagagem
A empresa existe há 10 anos de forma online, mas em breve haverá um espaço físico. "Nosso foco sempre foi turismo de mais alto padrão para famílias, casais e destinos exóticos. Mas o portfólio que a gente chamou de turismo emocional começou no ano passado. Não mandamos as pessoas para lugares que consideramos inseguros", explica Wania, que teve ideia da travel design porque desde os 18 anos tinha por hábito viajar sozinha.
"Sempre amei. Não é à toa que eu abri uma agência. Toda vez que eu voltava eu vinha com uma bagagem de repertório, tinha um autoconhecimento e a oportunidade de cuidar de mim, de olhar para dentro, porque eu não tinha que dar atenção para ninguém. Eu não tinha que fazer sala para ninguém. Eu fazia todo o meu roteiro. quebrei muita cabeça, porque, claro, quando a gente vai sozinha sem olhar muitas coisas, você não tem a expertise de buscar o que uma agência tem".
Ela salienta que começa explicando as mulheres a importância para o crescimento pessoal de fazer uma viagem sozinha. "Então, a gente não força. Depois a cliente entende e diz que quer arriscar, vou tentar e volta sempre com uma bagagem e um feedback maravilhoso. A questão emocional veio depois da pandemia. Quando a cliente chega, ela fala: eu quero fazer tal coisa, eu quero viajar para a Índia. A gente entende que aquela viagem dela não tem que ter nenhum luxo, nada, tem que ter uma experiência. Nem sempre ela precisa da consultoria do psicólogo, mas a viagem toda em si é regida com essa curadoria mais psicológica e emocional. Aí se a cliente precisar terá alguém para ajudar", finaliza. . Viajante solo
A assessora de imprensa Natasha Stein, de 46 anos, viaja sozinha desde 2002, inclusive já esteve em países da Árabia Saudita e em outros. "Comecei a viajar sozinha bem nova, pegar ônibus na rodoviária e visitar amigos em outros lugares. Depois passei a viajar sem perspectiva de encontrar pessoas que eu já conheço, em 2005. A primeira vez, eu fui passar uma semana na Serra Gaúcha sozinha e dali em diante não parei mais porque eu estava de férias e queria ir. Na época eu não tinha companhia, mas fui. Adorei, lá eu conheci um monte de gente com quem falo até hoje. Desde então, tomei coragem e estive em 20 países, inclusive árabes, tudo com muito cuidado. No Egito, dois caras quiseram me comprar, mas eu estava com um amigo que morava lá. Achei estranho e engraçado", disse.
A profissional gosta muito das diferenças que vê nos países e até em estados brasileiros. "Amo viajar porque adoro conhecer outras culturas. Também sempre fui muito incentivada pelos meus pais a viver a minha vida, não depender de ninguém para nada. Se eu não tinha companhia, estava de férias e tinha a oportunidade, ia sozinha e não me arrependo. Aproveitei muito".
Natasha só afirma que o cuidado deve existir em qualquer viagem, até para ir para Maricá que é bem perto do Centro do Rio. "Em qualquer lugar, a atenção é a mesma, é se preocupar, por exemplo, na hora de dormir, trancar a porta, ficar perto da mala, evitar pickpocket, botando bolsa na frente. Isso aí são regras para a vida, independente de você estar acompanhado ou não. Dependendo do outro país, não dá para sair super decotada, de saia curta. A cultura é diferente da nossa. Mesmo você sendo turista, é melhor respeitar. Na internet você acha dicas de tudo o tempo todo", orienta.
Para a assessora de imprensa, a ideia de Wania Camelo é muito interessante e vem de encontro com que ela pensa sobre o autoconhecimento. "Acho ótimo as mulheres começarem a tomar coragem para viajar sozinha, porque a gente tem que aprender que não se pode desperdiçar tempo por conta de ninguém. Claro que podemos querer aproveitar um lugar bacana que você sempre sonhou com seus amigos, um namorado, um marido, alguém possa ter sonhado em ir também, mas a pessoa não está com oportunidade naquele momento por causa de dinheiro, por causa de trabalho, por alguma questão de vida. E você tem aquela oportunidade, por que não? E eu acho ótimo, temos que aprender, como mulheres do século XXI, a aproveitar a vida literalmente sem depender de ninguém. Acho ótimo porque a gente fica aberta para conhecer novas pessoas", afirma.
Ela acredita que se trata de uma forma de a mulheres se empoderarem ainda mais e essa decisão também remete ao autoconhecimento. "Acho que as mulheres tendem a viajar sozinha não necessariamente para lugares de espiritualização, mas para se encontrar com você mesmo. Você tem que tomar as decisões sozinhas. Então eu sou super a favor desse movimento de empoderamento, de autovalorização e de procurar se conhecer, porque é só quando a gente está sozinho que a gente consegue se conectar conosco".
Natasha também fala da importância sobre a independência que se sente ao viajar sozinha. "É incrível, porque nós, mulheres, fomos criadas para depender dos outros, ter sempre um homem comandando a situação, organizando a viagem, que cuida do dinheiro, que toma decisão se a gente vai para lá ou vai para cá. Viajar sozinha é importante por mil motivos não só porque aprendemos a lidar com o dinheiro, mas para aprender a tomar decisões, a raciocinar em certas situações. Eu, por exemplo, já vivi certas aventuras que eu hoje não viveria, mas foram importantes para entender até onde podemos ir", alerta.
'Foi a viagem da minha vida'
Professora aposentada, Adriane Catunda Timbó Muniz, de 58 anos, ficava temerosa em viajar sozinha até que descobriu que pode ser muito mais legal e trazer novas experiências na bagagem. "Minha primeira viagem solo foi para Bonito porque gosto muito de ecoturismo e era um lugar que eu queria muito conhecer. Foi uma viagem muito bacana e especial. Fiz uma conexão em São Paulo, e de lá peguei um avião para Campo Grande, onde tinha um guia me esperando. Durante o percurso, até chegar em Bonito, ele foi me falando vários roteiros e eu fui escolhendo o que me agradava. Foi uma experiência muito bacana. Lá eu fiz flutuação no Rio da Prata, fui na Gruta Azul, e em cada um desses roteiros,eu ia conhecendo pessoas de outros lugares, você faz amizade, Enfim, é muito rico. Foi uma viagem muito cheia de novidades".
Além de Bonito, a professora também esteve no Pantanal, na fazenda Pequi. “Era uma fazenda com uma pousada, mas não tinha muitos hóspedes. Quando eu cheguei, havia uma pessoa saindo, então no dia seguinte eu era a única hóspede. Eles me trataram como se eu fosse da família: participei de um churrasco, fiz safari, pesquei piranha, traíra no rio, depois fui alimentar os jacarés. Tudo muito enriquecedor porque eu vi coisas que nunca tinha visto. Assim, a gente vai crescendo com essas experiências porque conhecemos pessoas diferentes com hábitos diferentes do nosso e isso vai acrescentando muita na nossa vida", avalia.
Mas a viagem dos sonhos de Adriane foi a Machu Pichu, no Peru. "Inesquecível. Minha superação, pois fui a outro país sozinha. Todo o pacote da viagem eu fiz pela internet, coisa que não tenho o hábito. Foi indicação de uma amiga e eu tinha muita vontade mesmo de conhecer Machu Picchu. Fiz todo o pacote e transações pela internet, conversando com uma pessoa, pelo WhatsApp. Fui para um país que não domino muito a língua. Entendo espanhol, mas falo aquele portunhol. Em Lima, eu conversei muito com o guia que fez o City Tour comigo, era um rapaz que também estava estudando português pela internet, então a gente conversou assuntos complexos até sobre política, fizemos uma troca bem bacana, e ele me agradeceu, porque ele entendeu quase tudo que eu falava, e eu também entendi quase tudo que ele falava. Depois de Lima, eu fui para Cusco e de lá para Águas Calientes para conhecer Machu Picchu, uma viagem maravilhosa de espiritualidade mesmo. A gente sente aquela espiritualidade naquele lugar, porque é mágico, uma energia muito forte. E eu fiquei muito feliz. Foi a viagem da minha vida. Eu nunca vou esquecer. Experiências muito gratificantes para mim".
Adriane conta que aprendeu muito durante a viagem ao Peru. "Me trouxe muito conhecimento, a cultura deles é totalmente diferente. Tive conhecimento da cultura Inca e é muito enriquecedor. E a gente vê, faz essa troca. Além da cultura com as pessoas, a gente também compara com as coisas que nosso povo já sofreu, principalmente os povos originários aqui do Brasil, com muitos massacres. Então, foi um conhecimento muito bom, muito enriquecedor para mim, como ser humano, saber de tudo o que aconteceu e o quanto eles colaboraram para a formação daquele povo."
Entre os principais benefícios das viagens solo estão:
Autoconfiança e independência – Tomar decisões sozinha fortalece a autoestima e a autonomia.
Redução do estresse – Sair da rotina permite uma verdadeira pausa mental.
Superação de medos e inseguranças – Muitas mulheres têm receios antes de viajar sozinhas, mas descobrem que são muito mais fortes do que imaginavam.
Conexões autênticas – Viajar solo abre portas para conhecer novas culturas e criar laços inesperados.
Inspiração e criatividade – O contato com novas realidades expande horizontes e traz novas perspectivas
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