Maria Luiza foi levada à UPA da Taquara pela babá no dia 31 de janeiroReprodução/Redes sociais

Rio - O laudo sobre a morte de Maria Luiza Cravo da Silva, de 8 meses, divulgado nesta quinta-feira (27), aponta para broncoaspiração, que é quando substâncias entram nas vias respiratórias levando à asfixia. Na ocasião, a babá da menina a levou para UPA da Taquara, na Zona Oeste, alegando que ela teria se engasgado com o líquido da mamadeira. A mãe, no entanto, pede mais investigações sobre o ocorrido.

O caso aconteceu no dia 31 de janeiro deste ano. De acordo com unidade de saúde, a criança já chegou sem vida ao hospital e com escoriações antigas e hematomas, lesões sugestivas de trauma.

Em relato ao DIA, a mãe da bebê, Andressa Cravo, havia reclamado da demora para o resultado do exame de necrópsia. Ela relata que a causa da morte ainda não está completamente esclarecida, uma vez que não há explicação sobre os hematomas aparentes na menina.

"Ainda há muitos poréns em toda a história. O laudo não saiu com a hora da morte que perdi a minha filha e nem a causa dos hematomas, então ainda sim a investigação será feita. Sempre busquei pela verdade, e nunca acusei ninguém diretamente", afirmou Andressa.

Apesar disso, a mãe acusou a babá, Lorena Germano, de ter demonstrado frieza no dia da morte. "No dia do ocorrido haviam muitas pessoas na delegacia, que viram a acusada rindo da situação e não demonstrando nenhuma empatia por mim e pela minha família. Além do mais, a mesma dizia ter um amor imenso pela minha filha. Mas mesmo assim, eu não acreditei de cara que isso poderia ter sido um assassinato sem ter comprovações de nada", acrescentou.

Por fim, Andressa relatou que muitos questionamentos precisam ser respondidos. "Ainda não acabou, ainda haverão muitas coisas vindo à tona. O que realmente pode ter acontecido com a minha Malu? Que horas eu a perdi? Porque a risada de deboche na delegacia? Só quero que isso tudo apareça", disse.

A babá levou a menina ao hospital acompanhada do namorado, Victor Hugo Jezuz, que também passou a ser investigado no caso. Em nota, a defesa do casal reforçou que o laudo descarta a hipótese de homicídio.

Além disso, a advogada Thaís Loureiro destacou que os dois vêm sendo injustamente acusados e atacados nas redes sociais, e reforça que estão colaborando com a investigação desde o início.

"Por ora, cumpre esclarecer que em tempo oportuno os detalhes serão devidamente demonstrados à sociedade, já deixando claro que desde o início das investigações o crime imputado era o de maus tratos com resultado morte, e nunca homicídio como veiculado em algumas redes sociais e pela mídia", diz um trecho do comunicado.

Em outra parte, a defesa esclarece que medidas judiciais serão tomadas contra acusações infundadas feitas online. "Desde o ocorrido, Lorena e Victor vêm sofrendo ataques por parte de pessoas que desconhecem por completo o convívio que os mesmos tinham com a bebê, chegando a dizer que eles haviam tirado a vida dela. Devido a isso, as medidas judiciais cabíveis estão sendo tomadas a fim de que os mesmos não tenham a sua honra mais atingida por quem desconhece a realidade dos fatos ocorridos", afirma.

Por fim, a advogada reforçou que o laudo reafirma a versão do casal relatada à UPA. "Vale destacar que nossos clientes estão à disposição das autoridades desde o início das investigações e que estão colaborando para a verdade pudesse vir à tona, tendo o resultado do laudo definitivo e, prova técnica, de que infelizmente a bebê veio a óbito por conta de uma broncoaspiração, reafirmando o dito por eles desde a chegada deles com a bebê na UPA - Taquara", finalizou.
Já o advogado da família da bebê, Paulo Ascenção, reforçou que as investigações devem continuar. "A bebê foi entregue morta. Um laudo que não era conclusivo, fica 50 dias e tem esse resultado?", questionou.
Procurada, a Polícia Civil ainda não respondeu sobre o andamento do inquérito. O caso está registrado na 32ªDP (Taquara).