A família alega que Nyvia foi acusada por um segurança do Dom de roubar um pacote de biscoitoAcervo pessoal
Mãe acusa supermercado de racismo contra adolescente na Zona Oeste: ‘Pegou pelo braço’
Família reclama ainda que ocorrência foi registrada na 32ª DP como ‘caso atípico’
Rio – Luciana Paula Barreto da Silva, 45 anos, mãe da adolescente Nyvia, de 16, acusa um segurança da rede de supermercados Dom Atacadista de racismo. De acordo com ela, o homem, ainda não identificado, acusou a jovem de roubar um pacote de biscoitos que ela havia comprado em outro estabelecimento momentos antes. O caso aconteceu na quarta-feira (2), na loja da Taquara, Zona Oeste.
"Ele pegou minha filha, que é menor de idade, pelo braço e a acusou de furto, perante todos os clientes”, disse ao DIA Luciana, moradora de Jardim Sulacap, também na Zona Oeste.
Segundo Luciana, Nyvia saiu de um curso e foi ao mercado Dom Atacadista com o biscoito na mão. Ao sair do local, decidiu guardar o pacote na bolsa, mas foi interceptada pelo segurança, que a acusou de furto.
Uma outra cliente chegou a se apresentar como testemunha a favor da garota, mas foi necessário que Luciana, ao saber do caso por telefone, levasse ao supermercado a nota fiscal do biscoito, a fim de comprovar que o item fora adquirido em outro supermercado. Abordado pela família, o gerente da loja teria afirmado desconhecer a situação.
Divergência entre delegacias
Luciana afirma que acionou a Polícia Civil e que, já na loja, um agente da 32ª DP (Taquara) teria tentado desmobilizá-la quanto a um registro de ocorrência: "Ele me informou que não daria em nada porque não houve crime. Mas será que se fosse uma menina branca de olho claro, isso teria acontecido?".
A mãe diz que, já na distrital, ouviu que havia feito uma interpretação equivocada das circunstâncias. A ocorrência foi registrada como "caso atípico".
Em seguida, a família se encaminhou para a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), onde foi orientada a retornar à 32ª DP para que a ocorrência fosse registrada, finalmente, como racismo: "Vou lá para tentar mudar isso", acrescenta Luciana.
A reportagem de O DIA procurou o Dom Atacadista para buscar um posicionamento, mas não obteve retorno. Já a Polícia Civil, questionada sobre a divergência entre a 32ª DP e a Decradi, informou que a partir de uma análise técnico-jurídica do caso, "não ficou constatado o crime de racismo".
Luciana recorda como foi a primeira noite com a jovem após o episódio: "Não dormimos. Ela chorou a noite toda, se culpando por ter entrado no supermercado com o biscoito na mão".
A mãe conta que era freguesa assídua do Dom Atacadista, mas garante que não retornará: "Nunca mais na minha vida".



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