Ana Maria Gonçalves, autora do romance 'Um defeito de cor'Divulgação
Ana Maria Gonçalves é eleita imortal da Academia Brasileira de Letras
Escritora, roteirista e dramaturga ocupará a cadeira 33, vaga desde a morte de Evanildo Bechara
Rio - A roteirista e dramaturga Ana Maria Gonçalves foi eleita imortal, na tarde desta quinta-feira (10), da Academia Brasileira de Letras (ABL). Ela passa a ocupar a cadeira 33, vaga desde a morte do professor e filólogo Evanildo Bechara, em maio deste ano. A escritora, que se tornou a mais jovem do atual quadro de imortais, recebeu 30 dos 31 votos possíveis.
Ana Maria Gonçalves é autora do clássico "Um defeito de cor", vencedor do Prêmio Casa de las Américas, em 2007, e eleito o melhor livro de literatura brasileira do século XXI por júri da Folha de São Paulo. O romance também inspirou a exposição homônima no Museu de Arte do Rio (MAR), em 2022, e o enredo da Portela, em 2024.
Primeira mulher negra a integrar a ABL em 128 anos, a escritora tem se destacado, no Brasil e no exterior, pela difusão de debates sobre literatura e questões raciais, além de atuar como professora de escrita criativa e curadora de projetos culturais.
Ocupante da cadeira 33
Ana Maria Gonçalves nasceu em 1970, em Ibiá, interior de Minas Gerais. É formada em Publicidade e atuou na área por 15 anos antes de se dedicar exclusivamente à literatura. A autora começou a escrever contos e poemas na adolescência, embora só tenha publicado seus textos anos depois. A paixão pela leitura, no entanto, começou ainda na infância, quando ela gostava de ler jornais, revistas e livros.
Sua estreia literária aconteceu em 2002, com o romance "Ao lado e à margem do que sentes por mim". Quatro anos depois, lançou "Um defeito de cor", obra que levou cinco anos para ser finalizada. Publicado em 2006, o livro narra a trajetória de Kehinde, uma mulher africana escravizada que reconstrói sua história em primeira pessoa.
Ana Maria já morou na Bahia, em São Paulo e nos Estados Unidos, onde viveu por oito anos e foi escritora residente em universidades como Tulane, Stanford e Middlebury. Também publicou contos em Portugal e na Itália. No Brasil, ela atua como roteirista, dramaturga, professora de escrita criativa e palestrante.
Entre seus trabalhos no teatro estão as peças: "Tchau, querida!", "Chão de Pequenos" e "Pretoperitamar – O caminho que vai dar aqui". Em 2022, foi co-curadora da exposição "Um defeito de cor", considerada a melhor do ano e exibida no MAR, Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab) e SESC Pinheiros.

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