Rio deverá ter nesta sexta (18) umidade relativa do ar entre 21% e 30%, nível considerado abaixo do ideal para a saúdeÈrica Martin/Agência O Dia
Sexta no Rio tem umidade do ar abaixo do ideal; especialistas orientam como evitar danos à saúde
Idosos, crianças e pessoas com doenças respiratórias são os mais vulneráveis ao tempo seco; confira a previsão do tempo para os próximos dias
Rio – A sexta-feira (18) que se inicia no Rio deverá ter uma característica típica do inverno, estação com um histórico de ser mais seca em comparação às outras. Isso porque, muito devido à falta de chuva - cenário que se estende ao fim de semana -, a umidade relativa do ar estará abaixo do considerado ideal para a saúde humana, o que faz especialistas acionarem um alerta e listarem os danos causados por tais condições - além de dicas para evitá-los.
A famosa umidade relativa do ar que tanto se ouve no noticiário, explicada de maneira simplificada, é a quantidade de água evaporada presente no ar que respiramos. E quando essa porcentagem cai demasiadamente, o resultado é uma série de sintomas indesejáveis.
“Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), ligamos o alerta quando os níveis de umidade vão para baixo dos 30%. A partir daí, começam os desconfortos”, exemplificou Bruno Esporcatte, médico oftalmologista do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), um dos especialistas ouvidos por O DIA.
Principais sintomas
Esporcatte destacou que as principais vítimas da umidade baixa são pacientes com doenças respiratórias, como rinite, sinusite, bronquite e asma, cujos sintomas se agravam em dias como essa sexta: “Ficam com mais irritação na mucosa de via aérea, tosse seca, dor de garganta, nariz entupido, coceira na pele e nos olhos”.
Os prejuízos desencadeados pelo tempo seco devem ser encarados a sério, e não apenas como passageiros, já que casos mais complexos podem levar à emergência: “Principalmente em pacientes com asma, pode haver crises com falta de ar intensa, que exigem atendimento de urgência ou até internação hospitalar”, salientou José Renato Castro, médico otorrinolaringologista também do Clementino Fraga Filho e do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Castro explicou ainda como, de fato, se dão essas reações: “A mucosa das vias aéreas depende da umidade adequada para manter as funções de limpeza e barreira de proteção. Quando a umidade está baixa, o muco fica mais espesso e viscoso, dificultando a eliminação de partículas e microrganismos. Além disto, o ar seco provoca microlesões na mucosa respiratória, facilitando quadros inflamatórios e infecciosos, como sinusites, faringites e até pneumonias”.
Sim, os alérgicos são os alvos em potencial do tempo seco, mas não só eles: “Idosos e crianças também são grupos mais vulneráveis. Tendem a sofrer mais com os efeitos da baixa umidade”, complementou o otorrinolaringologista.
Cuidados a serem tomados
Para grupos vulneráveis ou não, as recomendações são igualmente importantes quando se trata de evitar impactos à saúde provocados pela umidade baixa do ar. E uma das maiores aliadas nesse sentido é a hidratação.
“Nestes dias, devemos aumentar a ingestão de água ou líquidos em geral. Além de prevenir a desidratação, ajuda a manter as mucosas úmidas”, destacou Castro, dando uma dica extra: “Ter sempre uma garrafinha com água fresca por perto”.
Outro trunfo é umidificar ambientes internos: “Existem umidificadores de ar, mas podemos também usar bacias cheias de água ou mesmo toalhas molhadas”, observou Esporcatte, citando outros cuidados: “Evitar alimentos muito salgados e exposição ao sol. Especialmente a prática de exercícios físicos ao ar livre naqueles momentos em que a umidade está ainda mais baixa. Ou seja, a partir das 10h, 11h até o início da noite”.
Oftalmologista, ele também aponta como poupar as vistas diante de aridez mais severa: “É muito comum ter irritação, o olho ficar vermelho e coçando. Então, é interessante o uso de colírios, que são lágrimas artificiais. Mas é importante ter uma avaliação médica especializada antes de usar qualquer colírio”.
E como cuidar dos pets nestas circunstâncias? O otorrinolaringologista José Castro orienta: “Cães e gatos têm vias aéreas com características semelhantes aos humanos, e podem ter a saúde comprometida com a baixa umidade do ar. Devemos ter os mesmos cuidados, incluindo medidas para aumento da umidade do ambiente, com umidificadores, bacias com água... E evitar passeios ao ar livre em horários mais quentes, além de estimular a ingestão de água”.
Previsão do tempo
Segundo o sistema Alerta Rio, nesta sexta, devido à aproximação de uma frente fria pelo oceano, a saúde do carioca deverá lidar com uma umidade relativa do ar entre 21% e 30%. Sem previsão de chuva, o vento fica de forte a moderado, com temperaturas máxima e mínima de 33º C e 15º C, respectivamente.
Já para o fim de semana, não há expectativa de níveis tão reduzidos por causa do deslocamento de umidade do oceano para o continente. Ainda assim, não deve chover. No sábado (19), o vento será moderado, com máxima de 25º C e mínima de 15º C. Já no domingo (20), vento de fraco a moderado, e temperaturas entre 27º C e 14º C.

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