O traficante Marcelo Piloto foi expulso do Paraguai após cometer o crimeDivulgação

Rio – A Justiça Federal do Rio de Janeiro (JFRJ) condenou o traficante Marcelo Fernando Pinheiro da Veiga, o Marcelo Piloto, a 24 anos e nove meses de prisão. O julgamento dele, por ter matado uma garota de programa no Paraguai, em 2017, com 53 facadas, havia começado no último dia 9 e terminou nesta sexta-feira (12), com a homologação da sentença pela juíza Adriane Leal, da 5ª Vara Federal Criminal do Rio.
O crime
Apontado como integrante da facção criminosa Comando Vermelho e ex-braço direito de Fernandinho Beira-Mar (preso em penitenciária federal desde 2006), Piloto, detido no presídio federal de Porto Velho, em Rondônia, desde 2018, é acusado de ter cometido assassinado Lídia Meza Burgos, de 18 anos, enquanto estava em uma penitenciária do Paraguai.
A prisão fora do Brasil ocorreu em 2017, durante operação da Secretaria de Estado de Segurança do Rio (Seseg), em conjunto com a Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad), a Polícia Federal brasileira, a Polícia Nacional do Paraguai e a Agência Antidrogas Americana (DEA).
Na denúncia, o MPF salienta que o crime foi praticado por meio cruel e motivo fútil, uma vez que a intenção do denunciado era inviabilizar sua extradição para o Brasil, pois apostava na possibilidade de permanecer no país vizinho enquanto estivesse sendo processado por lá, o que o pouparia de responder pelos crimes cometidos em território brasileiro. No entanto, logo após a morte de Lídia, o presidente da época, Mário Abdo Benitez, o expulsou.
Na ocasião, o brasileiro, durante uma visita íntima, teria usado uma faca de cozinha e atingido a vítima por diversas vezes no pescoço, barriga e costas. Ainda segundo o MPF, os requintes de crueldade incluíram o fato de Piloto ter deixado a faca cravada no pescoço da jovem e uma tentativa de asfixia. Investigações apontam que todo o crime foi planejado.
Quem é Marcelo Piloto

Piloto havia herdado todos os contatos de fornecedores de armas de Marcelinho Niterói, morto por agentes da PF na Maré, em 2011 e atuava na favela de Manguinhos, na Zona Norte.

Na ficha criminal do traficante, há também participações em ações violentas, como arrastões e ataques a Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), além de resgate de presos.

Segundo o Portal dos Procurados, Piloto, também conhecido como Celo, foi preso pela primeira vez em 1998. Em 2007, seis dias após ganhar da Justiça o benefício do regime semiaberto, fugiu do Instituto Penal Edgard Costa, em Niterói, na Região Metropolitana. Contra ele, havia ao menos 20 mandados de prisão.

Piloto faz parte do grupo de dez traficantes, acusados de participar do resgate de Diogo de Souza Feitoza, o DG, de 29 anos, da 25ª DP (Engenho Novo), no dia 3 de julho de 2012.

Ele, que também já atuou em bairros como Inhaúma, Ramos, Penha, Bonsucesso, Pilares e Benfica, costumava ainda promover bailes funk nas comunidades, impulsionados pela venda de drogas, e circular com carros roubados.