Rio - A Polícia Civil prendeu nesta segunda-feira (15) o médico José Emílio de Brito, responsável pelo procedimento estético que levou à morte da jovem Marilha Menezes Antunes, de 28 anos, há uma semana, em uma clínica em Campo Grande, na Zona Oeste.
O cirurgião plástico foi preso em casa, na Tijuca, Zona Norte, e não ofereceu resistência. Contra ele foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão. O profissional vai responder pelos crimes de homicídio e falsidade ideológica.
Na última semana, duas responsáveis pelo Centro Médico Amacor, localizado em Campo Grande, foram presas após uma fiscalização do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) e da Vigilância Sanitária que encontrou diversos medicamentos fora do prazo de validade, muitos inclusive no carrinho de parada cardíaca do centro cirúrgico em que Marilha foi operada. As mulheres foram liberadas após o pagamento da fiança.
Em nota enviada ao DIA, a clínica lamentou mais uma vez a morte da jovem e afirmou que todos os medicamentos ou insumos utilizados durante o procedimento estético eram de responsabilidade exclusiva do médico, já que havia apenas cedido o local (veja a nota na íntegra abaixo).
"Esclarecemos que o médico responsável pelo procedimento atuava de forma independente, tendo apenas alugado o centro cirúrgico. Antes da locação, foram verificadas junto ao CRM/CREMERJ suas credenciais, que se encontravam regulares. Ressaltamos que a clínica não forneceu medicamentos, materiais móveis ou insumos utilizados no procedimento, sendo esses de responsabilidade exclusiva do médico que alugou o espaço", dia a nota
Marilha havia completado 28 anos em 1º de setembro. Ela era técnica de segurança do trabalho e deixa um filho de seis anos. Familiares e amigos deram o último adeus à jovem na quarta-feira (10), no Cemitério da Cacuia, Ilha do Governador.
Família acusa erro médico e negligência
Marilha morreu por complicações durante uma hidrolipoenxertia no glúteo, na noite do dia 8 de setembro. A jovem, que segundo a família era saudável, teria pagado cerca de R$ 5 mil pelo procedimento feito pelo médico José Emílio de Brito, na Clínica Amacor.
A família acusa o médico de omitir a causa da morte da jovem e a clínica de falta de infraestrutura, além de demora na assistência por parte da clínica. Léa Carolina Menezes Antunes, que a acompanhava durante o procedimento, revelou que houve demora para acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o profissional apenas se dirigiu à delegacia para registro da ocorrência após a intervenção da Polícia Militar.
O cirurgião plástico também teria omitido para a família que havia perfurado um órgão de Marilha e disse que a jovem havia sofrido uma bronco-aspiração e parada cardíaca. Após necrópsia, feita na terça-feira (9), o médico legista, no entanto, concluiu que Marilha morreu por choque hipovolêmico, hemorragia interna e ação perfuro contundente.
Na ocasião, a clinica Amacor destacou, ao DIA, que o procedimento foi realizado por uma equipe médica que alugou uma sala para a realização da cirurgia. A clínica é classificada como "One Day Clinic" (Hospital Dia) e o seu centro cirúrgico serve como uma hotelaria, ou seja, terceiros alugam o espaço para procedimentos.
O Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj) também realizou uma fiscalização na clínica e informou que abriu uma sindicância para apurar os fatos. O procedimento corre em sigilo, seguindo todos os ritos obrigatórios do Código de Processo Ético-Profissional.
Sobre as prisões, a Amacor disse que "as funcionárias que compareceram à delegacia não foram presas. Elas foram conduzidas apenas para prestar esclarecimentos e foram liberadas no mesmo dia. Ressaltamos que não houve decretação de prisão de qualquer colaborador da clínica até o momento, uma vez que não existe nenhum indício de culpa ou de falha por parte da Amacor", em nota enviada ao DIA.
Nota da clínica Amacor
"A clínica lamenta profundamente o falecimento da paciente e manifesta sua solidariedade à família neste momento de dor.
Esclarecemos que o médico responsável pelo procedimento atuava de forma independente, tendo apenas alugado o centro cirúrgico. Antes da locação, foram verificadas junto ao CRM/CREMERJ suas credenciais, que se encontravam regulares.
Ressaltamos que a clínica não forneceu medicamentos, materiais móveis ou insumos utilizados no procedimento, sendo esses de responsabilidade exclusiva do médico que alugou o espaço.
A instituição foi vistoriada pela Anvisa recentemente, tendo obtido laudo favorável que atesta a conformidade com as normas sanitárias vigentes.
A clínica não mantém qualquer vínculo societário ou de parceria com o referido médico e segue colaborando integralmente com as autoridades para o total esclarecimento do caso.
Reafirmamos nosso compromisso com a ética, a legalidade e, sobretudo, com a segurança de nossos pacientes".
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