Mercado São José é considerado polo gastronômico e cultural de LaranjeirasÉrica Martin/Agência O Dia

Rio - O tradicional Mercado São José, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, reabre a partir deste domingo (21), totalmente revitalizado, depois de ter ficado fechado durante sete anos. O estabelecimento, que agora terá espaço para eventos no terraço, promete devolver o polo gastronômico e cultural para os moradores e comerciantes do bairro, unindo a memória de gerações com a modernidade. O local funcionará de terça-feira a domingo, das 10h às 22h. 

A inauguração está prevista para começar às 12h e terá uma feira da Junta Local, apresentações de choro, samba, DJ, roda de conversa com Thiago Gomide, do canal Tá na História, e outras atrações. Com a proposta de ser um espaço para pequenos produtores locais e da gastronomia, o Mercadinho contará com 11 boxes e duas lojas grandes no térreo. Já na parte superior, serão mais duas lojas e um restaurante. 
Moradora do bairro desde que nasceu, Carolina Toniato, de 35 anos, conta que chegou a presenciar o Mercadinho São José em funcionamento e lamentou quando foi fechado. Além de revitalizar o bairro, ela acredita que a reabertura é uma oportunidade para apresentar as memórias da cidade para as novas gerações. "Gostei desta nova inauguração do Mercado São José, será muito proveitoso para nosso bairro. Vai trazer movimento e as novas gerações vão poder curtir sempre o quanto o Mercado São José mudou para melhor e não esquecer da memória para valorizar o bairro".
A revitalização também trouxe benefícios para pequenos empreendimentos. É o caso da cozinheira Maria Eduarda Schatovsky, de 28 anos, uma das proprietárias do Bocas Rotisserie. "Estamos ansiosos para inaugurar logo, assim como os moradores. Está sendo uma oportunidade muito boa, o espaço está bem estruturado e pronto para receber os clientes", afirmou a empresária.

Apesar da expectativa positiva pela reabertura do mercado, alguns moradores demonstraram preocupação com o aumento do trânsito e do barulho na região. "Excelente, parabéns pelo projeto. Mas fico receoso com o trânsito em volta, 'ubers' parando direto e atrapalhando a já 'semicaótica' Rua das Laranjeiras", comentou um morador. Outra vizinha levantou a questão da poluição sonora: "Queria saber sobre a acústica… O que foi previsto no projeto para que a vizinhança não seja impactada com o barulho dos bares? Essa é a minha 'ansiedade' de vizinha".

Ao DIA, a gestora de operações do novo mercado, Clícia Couto, de 45 anos, explicou que há diálogo constante com a comunidade para tornar o espaço positivo em todos os sentidos. "Temos tratado de questões como trânsito e acústica em reuniões com a associação de moradores de Laranjeiras. Inclusive, realizamos um encontro na semana passada para garantir a harmonia das atividades. Tudo o que for relacionado a som e música acontecerá dentro do galpão. Já em relação ao trânsito, neste momento inicial, principalmente no dia da abertura, vamos contar com equipes da CET-Rio e da Guarda Municipal nos arredores", detalhou.

Clícia destacou ainda a geração de empregos proporcionada pela revitalização. "Cada empreendimento conta, em média, com cinco a seis pessoas trabalhando", comemorou.
Investimento
O prédio histórico e o terreno anexo foram adquiridos por R$ 3 milhões pela Prefeitura do Rio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), por meio de uma negociação com o Ministério da Previdência Social. A partir da compra, a Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar) conduziu um chamamento público e o consórcio formado pela Junta Local e pela Engeprat, estruturado pela Konek Transformação Imobiliária, vai gerir o estabelecimento pelos próximos 25 anos e investiu R$ 8,5 milhões.
"O Novo Mercado São José está sendo devolvido ao carioca após anos fechado, porque acreditamos no estímulo à iniciativa privada para recuperar o patrimônio e movimentar a economia. Quem for ao Novo Mercado vai encontrar um espaço que resgata sua história, ao oferecer itens de mercadinho, e reforça sua vocação gastronômica e cultural, com bares, restaurantes e apresentações artísticas", detalha o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima.
Especiarias 
O Mercadinho contará com o armazém contemporâneo mineiro Zilda; a Fábrica Hoba de sorvetes veganos; e o restaurante Locanda, conhecido na Região Serrana por unir elegância e criatividade. O estabelecimento terá ainda a Absurda Confeitaria, que oferece releituras de clássicos; o mercado Tito Orgânicos e Locais, com hortifruti frescos e orgânicos; a Bocas Rotisserie, com opções de sanduíches até frangos assados. O Campo das Vertentes Queijaria terá queijos de produção própria e de parceiros renomados do Brasil; já o Basta Pastifício disponibilizará massas frescas para comer no local ou levar para casa.
Mercadinho São José

O espaço onde fica o popular Mercadinho São José, na Rua das Laranjeiras, chegou a funcionar como uma senzala e um celeiro de uma fazenda localizada no Parque Guinle na época do Império. Em 1944, o à época presidente Getúlio Vargas decidiu adaptar suas baias para criar um mercado e fornecer alimentos mais acessíveis à população, durante a Segunda Guerra Mundial. Em 31 de maio daquele ano, o estabelecimento foi inaugurado.

O mercadinho passou por décadas de abandono desde os anos 1960 e recebeu uma revitalização em 1988, sendo declarado patrimônio em 1994. O local se tornou um polo gastronômico e cultural da Zona Sul, mas com o tempo, a infraestrutura começou a se deteriorar e acabou fechado em 2018, quando o INSS, então proprietário do imóvel, conseguiu retomá-lo na Justiça. Em 2023, foi a vez da Prefeitura do Rio adquirir o espaço modernização e reabertura.
*Colaborou Ana Fernanda Freire e Érica Martin