Pastor Henrique Vieira e Talíria Petrone anunciaram medida através das redes sociaisReprodução / Instagram

Rio - Os deputados federais Pastor Henrique Vieira e Talíria Petrone, do PSOL-RJ, anunciaram que vão propor uma comissão externa para acompanhar os desdobramentos da megaoperação nos complexos da Penha e Alemão, que registrou 64 mortos nesta terça-feira (28). Os parlamentares também classificaram esta ação policial como a "mais violenta da história do Brasil".
"Entre outras iniciativas, a gente tá instituindo aqui uma comissão externa para acompanhamento [da megaoperação] e vamos fazer, na próxima quinta-feira, uma reunião da Comissão de Direitos Humanos com o deputado [federal] Reimont (PT-RJ) para acompanhar, com as organizações da sociedade civil, as instituições públicas, a situação que o Rio vive nesse momento", afirmou Talíria.
A deputada disse que está acompanhando a situação da cidade "com muita preocupação" e considerou o caso "inaceitável". "Mais de 65 pessoas mortas em um drama que está chegando no cotidiano de quem mora no Rio. A gente está com algumas iniciativas aqui para tentar incidir nessa situação inaceitável. É a operação policial mais letal da história do país."
Já Henrique declarou que os parlamentares vão pedir uma reunião de emergência ao ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.
"Foi o que a Talíria falou, a operação policial mais violenta da história do Brasil. Sem critério, sem planejamento, não está combatendo de fato o crime organizado, enxugando gelo, derramando sangue, caotizando a cidade, desesperando famílias. Nós estamos preocupados e estarrecidos. Por isso, esse conjunto de ações de emergência, de urgência, para que a gente possa enfrentar esse problema em solidariedade ao povo do Rio de Janeiro", avaliou o pastor.
Discussão na Câmara
Talíria e Henrique protagonizaram um bate-boca com parlamentares bolsonaristas durante sessão da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados nesta terça-feira.
A confusão começou depois de uma discussão entre o pastor e o presidente da comissão, Paulo Bilynskyj (PL-SP), que em seguida, cortou os microfones dos psolistas. Petrone, então, o chamou de "moleque covarde" e "agressor de mulher".
Em seguida, eles começaram a trocar ofensas com deputados de direita. "O que seu presidente está fazendo? Negou três pedidos do governador. O seu presidente [Lula] é conivente com o tráfico, amigo de narcotaficante", afirmou o parlamentar Rodolfo Nogueira (PL-MS). "O seu presidente [Jair Bolsonaro] é um miliciano", Talíria respondeu.
Operação mais letal da história do Rio
A megaoperação nos complexos da Penha e Alemão registrou as mortes de 60 suspeitos, dois policiais civis e dois PMs. Outros oito agentes ficaram feridos e mais quatro pessoas foram vítimas de bala perdida. Ao todo, as equipes prenderam 81 suspeitos e apreenderam 93 fuzis, além de uma grande quantidade de drogas.
Essa já é considerada a operação mais letal da história do estado. O número de mortos é o dobro em comparação à ação do Jacarezinho em 2021, quando 28 pessoas acabaram mortas.
Em coletiva de imprensa na Cidade da Polícia, Cláudio Castro afirmou que o Governo do Estado está isolado. "A operação é maior que a de 2010 e não tem nenhum auxílio das forças federais. O Rio está sozinho nessa operação. (...) O Rio não produz esse poder bélico e isso tá entrando pelas fronteiras e financiado via lavagem de dinheiro", disse.
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, por sua vez, explicou que não recebeu "nenhum pedido do governador do Rio nem hoje, nem ontem, absolutamente nada".
Segundo a Secretaria Municipal de Educação, na região do Complexo do Alemão, 29 escolas foram impactadas. Já no Complexo da Penha, 17 unidades interromperam o funcionamento.
A concessionária Rio Ônibus registrou 96 ônibus utilizados como barricadas e 204 linhas impactadas pelos desdobramentos da megaoperação.