Familiares reconhecem corpos retirados de área de mata e levados para praça na PenhaReginaldo Pimenta / Agência O Dia

Rio - A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj (CDDHC) informou que realiza, na manhã desta quarta-feira (29), um atendimento no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio, para acompanhar os desdobramentos da operação policial desta terça-feira (28) que resultou em 121 mortos.
A CDDHC também oficiou o Ministério Público do Estado, as polícias Civil e Militar e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), responsável pelo comitê de monitoramento da ADPF 635, pedindo "informações urgentes" sobre o planejamento, a execução e as responsabilidades pela ação.
A deputada estadual Dani Monteiro (PSOL), presidente da comissão, afirmou que a prioridade no momento é oferecer apoio às famílias e cobrar o Governo do Estado.
"O que vimos no Alemão e na Penha é o retrato de um Estado que perdeu qualquer limite. Com Cláudio Castro, a política de segurança virou, de vez, a política de extermínio, e as favelas seguem pagando a conta com sangue e silêncio", afirmou.
Dani ainda argumentou que "virar a madrugada contando corpos não pode ser rotina de um Estado de direito sem pena de morte". "O Rio precisa de justiça, não de chacinas eleitoreiras fantasiadas de operação policial", concluiu.
A reportagem tenta contato com os órgãos mencionados. O espaço está aberto para manifestações.
Operação mais letal da história do Rio
A megaoperação nos complexos da Penha e Alemão registrou as mortes de 117 suspeitos, dois policiais civis e dois PMs. Outros oito agentes ficaram feridos e mais quatro pessoas foram vítimas de bala perdida. Ao todo, as equipes prenderam 81 suspeitos e apreenderam 93 fuzis, além de uma grande quantidade de drogas.
Essa já é considerada a operação mais letal da história do estado. O número de mortos é mais que o dobro em comparação à ação do Jacarezinho em 2021, quando 28 pessoas acabaram mortas.
Em coletiva de imprensa na Cidade da Polícia, Cláudio Castro afirmou que o Governo do Estado está isolado. "A operação é maior que a de 2010 e não tem nenhum auxílio das forças federais. O Rio está sozinho nessa operação. (...) O Rio não produz esse poder bélico e isso tá entrando pelas fronteiras e financiado via lavagem de dinheiro", disse.
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, por sua vez, explicou que não recebeu "nenhum pedido do governador do Rio nem hoje, nem ontem, absolutamente nada".
Segundo a Secretaria Municipal de Educação, na região do Complexo do Alemão, 29 escolas foram impactadas. Já no Complexo da Penha, 17 unidades interromperam o funcionamento.
A concessionária Rio Ônibus registrou 96 ônibus utilizados como barricadas e 204 linhas impactadas pelos desdobramentos da megaoperação.